Centenas comparecem na parada LGBT de Hong Kong, usando máscaras e protestando contra o governo

Tradução do texto de Chan Ho-him originalmente postado no South China Morning Post.

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Centenas da comunidade LGBT de Hong Kong compareceram na parada anual depois que a polícia negou o pedido dos organizadores de realizarem a marcha pela primeira vez desde a criação da parada em 2008.

Na Edinburgh Place na Central, uma pequena congregação apareceu no evento desse ano, cujo tema era “Justiça igualitária, direitos iguais”. A multidão pedia por tratamento igualitário e melhor proteção das minorias sexuais, incluindo uma legislação contra a discriminação baseada em orientação sexual.

Organizadores disseram que mais de 6.500 participaram na parada, mas a tensão dos movimentos anti-governo e a lei contra máscaras contribuiu para a queda no número de participantes já que aqueles que gostariam de manter a sua identidade em segredo foram impedidos de participar.

A polícia havia rejeitado no início da semana o pedido do comitê organizador da parada do orgulho de Hong Kong que solicitava a marcha do Victoria Park até o Edinburgh Place “sob o argumento de segurança e ordem pública”, somente aprovando a reunião. Organizadores estimaram que a participação desse ano caiu pela metade em comparação com o ano passado.

Muitos com roupas coloridas compareceram no sábado, carregando bandeiras do arco-íris, mas alguns também estavam mascarados e vestidos de preto – a roupa padrão dos protestos contra o governo.

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Organizadores disseram que 6.500 pessoas compareceram para a manifestação (Foto: Chan Ho-him)

Mo, um estudante da comunidade LGBT, vestia uma camiseta preta e uma máscara para a manifestação, desafiando a lei contra máscaras para demonstrar o seu apoio pelas cinco demandas dos manifestantes já que alguns dos seus colegas de classe foram presos nos últimos meses durante as manifestações.

O jovem de 17 anos disse que ele era um dos manifestantes que ajudaram a construir barricadas e apagar bombas de gaz lançadas pela polícia na semana passada. Ele disse que a manifestação de sábado foi pacífica e uma “pena” que a polícia negou a marcha.

“Todos os anos, a parada do orgulho é realizada. A polícia somente rejeitou a marcha desse ano dois dias antes do evento, mesmo o pedido ter sido feito muito tempo antes… Eu acredito que quando não há a presença da polícia, tudo corre de maneira mais pacífica”, ele disse, adicionando que ele tinha participado da parada do orgulho nos últimos dois anos.

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Participantes seguram uma grande bandeira do arco-íris (Foto: Chan Ho-him)

Mas Brian (nome fictício), um advogado de 50 anos da Inglaterra que vive em Hong Kong por mais de 20 anos, disse que a decisão da polícia de proibir a marcha foi “compreensível” apesar de ter sido “decepcionante” porque poderia ter um resultado melhor no evento.

“Ela foi baseada na segurança, incluindo as preocupações dela se transformar em algo além da proposta. Eu posso entender isso… mas eu não irei culpar nem um lado nem o outro”, ele disse.

Kwok, uma mãe de 30 anos que se uniu à manifestação pela primeira vez cm o seu marido e sua filha de sete anos, disse que ela sentiu que a liberdade de expressão da cidade tem diminuído com as proibições policiais de realizações de marchas e manifestações, então ela veio para demonstrar apoio e “se conectar” com a comunidade LGBT.

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Entre os slogans da manifestação alguns cantos contra o governo e a crise política foram gritados (Foto: Felix Wong)

Ricky Chu Man-kin, presidente da Comissão de Oportunidades Iguais, que participou da manifestação vestindo um bracelete com cores do arco-íris, disse que a vigilância irá se manifestar para conseguir a aprovação de uma proposta contra a discriminação baseada na orientação sexual “em breve”.

Alguns detalhes da provisão legal serão lançados em áreas menos controversas como nos direitos de trabalho e educação, assim como uso igualitário de serviços públicos, que seriam colocados sob consultoria.

“Debates sobre a legislação duraram 24 anos, nós estamos tentando fazer avanços e iremos quais os resultados serão”, disse Chu. “Eu posso prever que o processo será longo e pode levar muito tempo, mas eu estou otimista”.

Diplomatas de pelo menos sete consulados também apareceram para mostrar o seu apoio, incluindo o legislador abertamente gay Raymond Chan Chi-chuen. Os participantes carregaram cartazes como “não existem manifestantes, somente tirania”, por toda a manifestação.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Thousands show up for pride parade on LGBT rights in Hong Kong, as some wear masks and chant anti-government protest slogans

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