Um poema para celebrar o amor entre mulheres marrons

Tradução do texto originalmente postado no LGBT Mumbai.

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Para além da invisibilidade dos afetos entre mulheres, mais difícil ainda é reverberar expressões de asiáticas marrons. Acreditamos que as produções artísticas são importantes no sentido de fomentar a visibilidade e a legitimação de corpos e afetos diversos. Por isso, consideramos importante compartilhar alguns materiais que consideramos representativos.

ATENÇÃO! Tenhamos cuidado e respeito com a leitura do poema e no olhar das fotos. Estes não são para a fetichização de corpos e sim para materializar a existência do afeto não heteronormativo para além das representações majoritárias da branquitude!

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O que ele não te contam quando você finalmente beija uma menina
é que pode não parecer certo na primeira vez,
é que pode nunca parecer certo,
às vezes sair do armário
é como ir para um novo armário.
os rótulos que você escolhe,
depois de passar anos ruminando,
através dos restos de revoluções passadas,
e dos escárnios lançados em você na escola,
os rótulos podem não caber perfeitamente conforme você imaginou,
mas você pode se enganar,
de novo
e de novo.

Quando você beija uma menina,
você ainda não vai saber o que fazer com suas mãos,
as partes dela em que você pensou como navegar ainda pareceram terras estrangeiras,
mas os seus dedos na barriga dela,
podem fazer você se odiar um pouco menos,
você pode não ansiar por bordas afiadas como sempre achou precisar,
talvez as flores em todos os poemas finalmente façam algum sentido,
você pode querer derreter todas as palavras que passam por sua cabeça
à medida que o rosto dela se encaixa perfeitamente entre seu queixo e seu ombro,
e os derrete com as mais doces mentiras,
e as despeja nas bordas rachadas do mundo,
somente para se curar.

O que não te contam sobre beijar uma menina,
mesmo quando você gosta,
é que seus olhos vão sempre ficar abertos
á procura do fogo,
mas ainda,
pode haver batom
o dela pode cair bem nos seus lábios como uma amostra,
como uma cor inomeável,
e quando você chega em casa,
sua mãe pode dizer,
que vergonha,
essa vergonha que te faz brilhar.

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Diretor de arte : @simrahfarrukh .
Musas: @sufi.sun e @anjalichakra
Fotografia:: @allison__stoddard (para fotos no.7,8,9) e @salievisuals (para fotos no.10)
Tops feitos á mão por @riya.xx @soft.threads.xx .
Poema : Anureet Watta @wattaaaaaaa

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Postagem original (Em inglês): LGBT Mumbai

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