Ator Leo Sheng faz pequena aparição na nova gravação de “The L Word”.

Tradução do texto de Jim McFarlin para Hour Detroit originalmente postado no Hour Detroit.

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O ator trans, de origem chinesa, estudante de sociologia da Universidade de Michigan, também trás consciência para questões LGBTQ. 

Atenção: Leo Sheng quer que você saiba que ele apreciou crescer na sua ótima comunidade, e ele não está te insultando. Porém, em quase toda a biografia publicada sobre Sheng, o jovem ator que co-estrela no retorno de The L Word: Generation Q, diz que ele cresceu em ‘uma pequena cidade fora de Ann Arbor, Michigan’. Não seria isso, Chelsea? ‘Isso é engraçado’, diz o ator de 23 anos. ‘Essa ideia provavelmente vem de tanto eu falar com pessoas que não são de Michigan. Ypsilanti não é tão pequena, mas ninguém a conhece. Eu continuo insitindo em descrever Ypsi, e as pessoas ficam só me encarando”. 

Sheng, que foi adotado de Hunan, China, quando criança, cresceu perto do oeste da Universidade de Michigan, a alguns passos da moradia estudantil. “Você poderia sentir o cheiro de Dom Bakeries (padaria de Ypsilanti) de casa. Eu amo o Dom”, ele diz.

Apesar da proximidade com o oeste, Sheng decidiu ir para uma faculdade um pouco mais longe, porém nem tanto. Ele se matriculou na Universidade de Michigan em 2014, onde acidentalmente sua carreira de ator começou. À princípio sua trajetória estava indo para a escrita criativa, mas no primeiro ano seu interesse se mudou para filmagem. Finalmente ele optou por sociologia mas continuou perseguindo sua paixão pela arte e produziu dois filmes independentes transmitidos no teatro de Michigan.

Ele saltou para filmes maiores e papeis na TV. Sheng registrou sua transição como um homem trans no Youtube, Tumblr, Instagram e em outras plataformas digitais. Isso o conduziu para a produção de contribuições para questões LGBTQ no Huffington Post e no MTV Voices, e ele ganhou popularidade com milhares de seguidores do Twitter e do Instagram. As suas fotos de pré-transição quando criança, assim como as do pós-cirúrgico de remoção dos seios foram compartilhadas e posteriormente postadas em people.com.

“Tem uma organização estudantil de filmes, a M-agination, e todo semestre você pode mandar um script e a comissão decide quais produzir”, explica Sheng. “O primeiro que eu escrevi foi a minha tentativa de ser diretor. Eu não sabia nada de escrita e direção. Eu estava boiando, mas sabia que queria retratar uma história de amor queer, o que eu fiz.”

“Olhando para trás, eu gostaria de ter feito esses filmes um pouco mais felizes. Ambos são tristes, o que se vê muito em Hollywood. Mas foram também grandes experiências de aprendizado.”

Experiência conta. Depois da graduação em 2017, com um bacharelado de artes em sociologia, Sheng se preparou para obter uma outra graduação em serviço social na Universidade de Michigan, seguindo os passos de sua mãe. “Estava tudo certo para eu começar a graduação”, ele diz, “e um pouco antes da orientação eu vi uma mensagem no Instagram para seleção de elenco numa agência em Nova Iorque. Nela dizia ‘Oi, estamos procurando atores trans para um teste para produção em breve. Se você quiser mais informações, por favor, nos envie um e-mail’. Eles devem ter visto o meu perfil online.”

“Mas a mensagem tinha sido mandada há uma semana! Eu pensei ‘É tarde demais, mas quem sabe eles ainda têm interesse no meu teste, por que não?’ ” Antes de se dar conta, Sheng estava em um avião indo para Nova Iorque, para passar oito semanas gravando o filme super comentado Adam, baseado no romance, de 2014, de Ariel Schrag. Lançado no último verão estadounidense e dirigido pelo produtor de Transparent, Rhys Ernst, o filme foi lançado em Janeiro pelo festival de filmes Sundance. “Eu mandei, então, um e-mail para a escola de serviço social e disse “preciso trancar um ano. Consegui uma oportunidade que não posso recusar! O que eu preciso fazer?” ele se recorda empolgado, “eu estava um turbilhão.”

Ele precisou implorar por outra prorrogação. Adam indiretamente o levou para o seu papel em Generation Q, que será lançado pela Showtime em 8 de dezembro.  No retorno de The L Word ele está do lado de Jennifer Beals, Leisha Hailey e Kate Moennig, do drama épico que se passou durante 2004-2009 e tratou das vidas e amores de amigas – quase todas lésbicas e bissexuais – que moravam em Los Angeles.

“Sinto uma grande responsabilidade em usar minha plataforma para convocar outros leste-asiáticos queer a mostrarem solidariedade para elevarem nossos irmãos queer. Especialmente agora.”

– Leo Sheng

Em Generation Q, Sheng faz o papel de Micah Lee, que é descrito como “um professor adjunto de voz suave que é forçado a confrontar seu medo da vulnerabilidade.”

“Ele é um professor de serviço social, o que eu amo, porque era o que eu estava estudando,” diz Sheng. “Tem algo nos reboots em sempre fazer piada da série original, mas o que é incrível desse show é que sim, tem piadas, mas estamos de fato focando em onde esses personagens estão hoje. Eles todos estão vivendo suas vidas, passando por dramas e amores, mas tudo mudou. O jeito de falarmos sobre coisas enquanto sociedade mudou. A linguagem mudou.”

Sobre seu personagem, “Ele está tentando entender o que quer da sua vida,” Sheng diz. “Micah é o amigo que realmente ouve e tenta aconselhar mas não segue seus próprios conselhos. E o que eu amo é que a narrativa de Micah envolve sua vivência trans, mas não se trata somente dele ser trans.”

“O que nos empolgou muito sobre Leo é sua afetividade e vulnerabilidade”, diz Marja-Lewis Ryan, produtora executiva do show. “Nós imediatamente sentimos que o conhecíamos e queríamos torcer por ele. Mal podemos esperar para os fãs – novos e antigos – sentirem o mesmo.”

E se Sheng pensou que sua visibilidade no Instagram era poderosa (@ileosheng), apenas espere. “Penso muito sobre pessoas me dizerem que minha plataforma vai se expandir mais e mais agora e nisso há muita responsabilidade.”

Sheng aponta sua etnia como um dos fatores de responsabilidade. “Eu frequentemente tenho passabilidade do meu gênero, logo posso circular pelo mundo sem pessoas me questionando, e com maior segurança. Não sou branco, mas também não sou negro nem latino, então tenho o privilégio de não ser alvo por conta da minha raça e meu gênero tal como muitos trans racializados são. Sinto uma grande responsabilidade em usar minha plataforma para convocar outros leste-asiáticos queer a mostrarem solidariedade para elevarem nossos irmãos queer. Especialmente agora.”

À medida que sua fama e conta bancária crescem, por acaso ele consideraria voltar à China? “Penso muito sobre isso também”, Sheng admite. Sei de qual província eu vim, mas não sei muito sobre minha família biológica.”

“Quando mais o tempo passa, o desejo de ir à China aumenta, mas também fica cada vez mais complicado”, diz ele. “Fui adotado durante a política de filho-único na China, o que acabou somente há alguns anos. Conheço algumas gerações de leste-asiáticos que perguntariam, ‘você é um menino, por que foi adotado?”.

“Se eu encontrasse minha família, qual seria a reação deles? Até onde eles sabem, eles deram para adoção uma menina. Assim, é complicado pensar em voltar para lá.

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Links relacionados:

Matéria Original (Em inglês): Actor Leo Sheng Makes His Small-Screen Debut in the “The L Word” Reboot

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