Polícia proíbe parada do orgulho de Hong Kong por causa de ameaças de protestos

Tradução do texto de Chris Lau originalmente postado no South China Morning Post.

_____________________________

A parada do orgulho de Hong Kong, pela primeira vez, foi reduzida a uma reunião parada, depois que a polícia rejeitou o pedido do grupo LGBT para a realização da marcha, enquanto as manifestações civis continuam.

Yeo Wai-wai, diretora do comitê organizador da Parada do Orgulho de Hong Kong, acursou a polícia de informar eles de último minuto – do que comumente com um mês de antecedência – deixando os organizadores com pouco tempo para avisar os participantes, muitos deles do corpo de diplomatas.

“A polícia tem oprimido a liberdade”, disse Yeo, também membro do Fronte Civil dos Direitos Humanos, que organizou protestos pacíficos alguns meses atrás pela oposição da negação do projeto de lei de extradição em junho, que levou multidões enormes de acordo com o grupo.

“Minorias sexuais não são exceção”, ela disse.

A parada foi co-organizada pela Associação de Direitos Transgênero, Gay Harmony, Associação Les Corner Empowerment, Rainbow Hong Kong e Pridelab. Pessoas LGBT, assim como aliados, iriam marchar do Victoria Park em Causeway Bay até o Edinburgh Place na Central.

Mas a polícia informou os organizadores que não iriam permitir a reunião no Edinburgh Place, citando possíveis manifestações em outras áreas, entre outras que estavam acontecendo na cidade, nos últimos seis meses. Ela iria começar as 14h.

Nos últimos dias aconteceram diversas confrontos entre manifestantes e a polícia desde que os protestos contra o governo começaram em Junho, com um campus universitário foi transformado em um campo de batalha nas últimas semanas.

A decisão da polícia foi a primeira proibição da execução da parada desde sua criação em 2008, que teve a presença de 1.000 pessoas. No ano de 2010 a parada não aconteceu, por falta de recursos.

O evento cresceu desde então, atraindo 12.000 pessoas ano passado, incluindo legisladores e cônsules, muitos exibindo a bandeira do arco-íris durante a marcha. 

Yeo disse que os organizadores nunca receberam uma proibição da polícia, porque o evento teve um registro recorde de ser pacífico e inclusivo.

Ela disse que eles não sabiam antes se a aprovação seria dada ou não, adicionando que eles tinham se preparado para caso fossem noticiados em cima da hora, 48 horas antes do evento, período mínimo previsto pela lei.

Yeo disse que eles já tinham informado mais de 10 cônsules convidados sobre o aviso.

“Existe a possibilidade deles não poderem participar por causa do aviso de última hora”, ela disse.

Outras paradas tiveram a apresentação de drags, com participantes usando maquiagem e roupas extravagantes.

Por outro lado, muitos não se assumiram para suas famílias e escondiam seus rostos com máscaras, para se manterem anônimos durante a parada. Eles agora serão afetados pela proibição do uso de máscaras que a administração impôs com uma lei emergencial em outubro, para deter manifestantes anti-governo.

4d452a3a-06b7-11ea-a68f-66ebddf9f136_1320x770_185322
A parada teve a participação de 12.000 pessoas ano passado (Foto: Edward Wong)

O ativista gay Jimmy Tsz-kit, que participou da parada do ano passado usando uma sombra de olho roxa, disse que existia um grande problema na aprovação de uma lei sem análise legal.

Minorias sexuais agora foram pegas no fogo cruzado, disse Sham, também conhecido pelo seu papel no Fronte Civil de Direitos Humanos.

O único legislador abertamente gay da cidade, Raymond Chan Chi-chuen, apontou que a parada não tem relação nenhuma com evento políticos. “Isso significa que a cidade não terá mais paradas agora?” ele perguntou.

Um participante da parada disse que estava preocupado da polícia cancelar o evento no dia, alegando que protestos estavam acontecendo em qualquer lugar da cidade.

_____________________________

Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Police ban takes the parade out of Hong Kong’s pride celebrations, amid violent protests in the city

Advogada de Hong Kong argumenta que a cidade não tem como justificar o tratamento discriminatório em caso de direitos matrimoniais

Hong Kong se prepara para a sua Parada do Orgulho que acontecerá dia 16

Corte de Hong Kong fazem apelação para a revisão de políticas discriminatórias contra relacionamentos homoafetivos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: