Filme LGBT cria protestos de extrema direita na Georgia

Tradução do texto de Jude Dry originalmente postado no Indie Wire.

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Um grupo ultra-conservador da Georgia está ameaçando participantes e planejando protestos durante as exibições do primeiro filme LGBT do país. Todas as entradas foram vendidas em minutos para a premier de “And Then We Danced”, um sensível conto sobre um dançarino georgiano descobrindo a sua sexualidade. Escrito e dirigido por Levan Akin, um diretor sueco de ascendência georgiana, o filme foi recentemente escolhido pela Suécia como a escolha oficial do país para o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. O filme visualmente suntuoso e forjado de maneira emocional foi recebido com muitas críticas positivas, e tem sido um sucesso de bilheteria na Suécia. Mas o filme está recebendo uma recepção muito diferente na Georgia.

“And Then We Danced” teve a sua abertura em Tblisi, onde foi filmado, no dia oito de novembro. Enquanto um representante do filme relatou que todos os 5.000 ingressos foram vendidos em 13 minutos, até mesmo causando a queda do site do cinema, a igreja georgiana e outros grupos conservadores se opuseram contra o filme.

A popularidade do filme tem provocado a ira do grupo de direita Georgian March, que tem posicionamentos homofóbicos assim como oposição à imigração e muçulmanos. A Igreja Ortodoxa da Georgia também se posicionou contra o filme, que foi visto como uma tentativa de minar valores cristãos e georgianos. A propósito, a igreja se viu emersa em uma controvérsia recentemente, quando padres de alto escalão foram acusados pelo líder da igreja, o Patriarca Ilia II, assim como outros oficiais, de terem mantido relações sexuais com outros homens, incluindo menores de idade.

“A histeria contra a igreja está vindo novamente porque nós sabemos que alguns cinemas estão exibindo filmes sobre o amor de um casal gay, que é uma tentativa de minar os valores cristãos e georgianos”, disse o representante da igreja, Andrew Jagmaidgze. “A igreja tem protestado muito, o que será a razão de novos ataques contra a igreja”.

Os protestos colocam luz sobre a situação dos direitos LGBT na Georgia. A hostilidade fugaz da democracia contra pessoas LGBT quase perturbaram a realização do filme. Diversos locais negaram acesso depois de saberem do conteúdo LGBT do filme. Akin e sua equipe tentaram não chamar muita atenção enquanto filmavam, adotando táticas de filmagem de guerrilha para finalizar o filme.

“A situação difícil e ameaçadora na Georgia sobre meu filme machuca meu coração”, disse Akin para o IndieWire por e-mail. “Eu fiz esse filme com amor e compaixão. É a minha carta de amor para a Georgia e para a minha herança. Com essa história eu queria recuperar e redefinir a cultura georgiana para que incluísse todos. É um absurdo que as pessoas que compraram os ingressos tenham que ser corajosas e sofrerem o perigo de serem assediadas ou até mesmo atacadas somente por quererem assistir um filme. Mas infelizmente esses são tempos tristes que vivemos e os protestos só provam o quão vital é se posicionar contra essas forças negativas de qualquer forma”.

A oposição contra o filme se assemelha com a recebida pelo filme lésbico queniano “Rafiki” durante as inscrições do Oscar do ano passado. O Quênia inicialmente baniu o filme de ser exibido no país, o que o teria desqualificado para o Oscar. Wanuri Kahiu ganhou uma batalha legal e conseguiu se qualificar para o Oscar, mas o filme acabou não sendo escolhido pela Comissão de Cinema do Quênia como submissão oficial do país.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): LGBTQ Film ‘And Then We Danced’ Stokes Right Wing Protests in Home Country Georgia

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