O Líbano está deixando de ser um refúgio para ativistas LGBT?

Tradução do texto de Rasha Younes originalmente postado no Human Rights Watch.

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O Líbano era conhecido por ser um porto no meio da tempestade para defensores dos direitos humanos no mundo de falantes da língua árabe – especialmente aqueles que trabalham com gênero e sexualidade – para se organizarem livremente e sem censuras.

Um grande espaço para isso era a conferência anual da NEDWA, recebida pela Fundação Árabe pela Liberdade e Igualdade (AFE).

Mesmo pessoas LGBT enfrentaram grandes violações de direitos humanos nos últimos anos, desde assassinatos no Iraque, aprisionamentos e exames anais forçados no Egito, até rígida censura de conteúdos LGBT no Catar,  o Líbano era um refúgio onde ativistas podiam se encontrar no NEDWA para cultivar a resiliência dos seus movimentos, táticas, e cura comunal em face das adversidades.

Esse refúgio no Oriente Médio não mais existe.

No meio de uma perseguição contra a liberdade de expressão e assembléia no Líbano, resultando em uma incursão ilegal pela Segurança Geral na conferência do NEDWA de 2018 e a negação de entrada descriminatória de participantes não-libaneses, a AFE foi forçada a mudar a conferência para fora do Oriente Médio e Norte da África pela primeira vez.

Os ativistas se adaptaram. Duzentos defensores de direitos humanos, artistas e acadêmicos da região se reuniram em outro país. Eles discutiram saúde, direitos humanos e a construção do movimento. Artistas queer da Palestina, Líbano e Egito inspiraram os ouvintes com performances que reconfiguraram o sentido de resistência, encorporando maneiras criativas de combate à opressão promovida pelo estado.

Ao invés de proteger plataformas tão necessárias como o NEDWA e celebrar esses ativistas, o governo libanês escolheu renunciar as suas obrigações internacionais afirmando que essa conferência “perturba a segurança e estabilidade da sociedade” e coletivamente sanciona os seus participantes.

A opressão de ativistas LGBT no Líbano é parte de uma maior perseguição da liberdade de fala no país. Hamed Sinno, o vocalista da banda indie Mashrou’ Leila, que o governo libanês censurou em julho, falou na conferência desse ano do NEDWA, condenando o declínio do Líbano como um centro de arte e tolerância, ao mesmo tempo que afirmava que a luta dos ativistas ainda continua.

O Líbano deveria anotar: a intimidação e ameaças nunca irão silencias as vozes de ativistas que irão continuar a sua luta pelos direitos de viver e amar. Ao fechar suas portas para ativistas, o Líbano está despindo sua imagem de centro de liberdade e diversidade da região.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Lebanon No Longer A Safe Haven for Activism

Grindr é banido no Líbano

Transsexuais e Interssexuais no Líbano: Uma história de coragem e determinação

Resistência e Subversão: Considerações finais sobre os movimentos queer pela Ásia – uma perspectiva comparativa entre Cingapura, Cazaquistão e Líbano

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