Conheça o ativista LGBT e autor afegão Nemat Sadat

Tradução do texto de Priyanshi Jain originalmente postado na Vogue.

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The Carpet Weaver Nemat Sadat

“Eu estou apaixonado por alguém agora… mas é um amor não correspondido. Eu sei que ele tem sentimentos por mim também mas ele está voltando para a sua ‘casa” (para o seu país)”, diz Nemat Sadat, um ativista LGBT do Afeganistão e do livro “O tecelão de tapetes” (The Carpet Weaver, ainda inédito no Brasil).  Sua novela não só revela a sua brava estréia na literatura, mas também conta uma história muito real e emocionante de um jovem gay do Afeganistão saindo do armário, tentando encontrar o seu lugar frente a terrível perseguição.

O preço da liberdade

Os paralelos entre o seu protagonista Kanishka e a própria vida de Sadat se conectam – ambos são refugiados muçulmanos gays do Afeganistão que escaparam de um regime turbulento para os Estados Unidos.

O autor saiu do Afeganistão quando ele tinha somente oito meses de idade, mas nunca verdadeiramente conseguiu esquecer o seu país. Apesar de ter crescido nos Estados Unidos, ele nunca se sentiu integrado. Não foi até ele chegar aos seus trinta que ele conseguiu coragem para sair do armário para os seus pais, que disseram para ele esconder a sua sexualidade e se casar com uma mulher. Crescendo como um refugiado afegão gay na “terra dos livres” veio com uma parcela de preconceitos, Sadat explica. “Pessoas ainda se seguram nos seus preconceitos e são racistas no seu dia a dia. Apesar de odiarem ser associados ao racismo, eles o praticam diariamente. Mesmo aqueles no topo da Hierarquia de Necessidades da Maslow não quiseram me namorar porque preferiam ter outro homem branco para ser o seu grande troféu… mesmo se alguém deseja me namorar, eles simplesmente preferem não fazer isso por causa do que a sociedade pode dizer sobre eles. Nós somente temos mais e mais preconceitos dentre de nós hoje em dia”, ele diz.

Liberdade  é recebido as custas, e Sadat já sofreu quando saiu do armário em 2013 e foi ostracizado dentro de sua família. O seu irmão o deserdou e ele se tornou um estranho para o seu pai. Enquanto a sua irmã aceita a sua sexualidade, no começo ela reclamava dos problemas que o ativismo dele poderia trazer para a sua família. Sua mãe tem sido a sua única companhia para os dias de solidão. A sua biografia menciona que ele é “o primeiro nativo do Afeganistão a ter publicamente se assumido gay e que luta pelos direitos da comunidade muçulmana LGBT ao redor do mundo”. O que ele não menciona é que o seu ativismo cresceu depois das diversas perseguições que ele enfrentou enquanto estava na Universidade Americana do Afeganistão em Kabul. “Eu fui demitido da minha posição”, ele revela. “Meu substituto foi assassinado três dias depois da sua chegada em Kabul. E dois dos professores que andavam no mesmo veículo foram sequestrados em agosto de 2016, poucas semanas antes da universidade ter sido atacada pelo Talibã. Eu voltei para o Afeganistão com muitas boas intensões mas não existia espaço para mim lá”. Então ele voltou para os Estados Unidos, mas com a clara missão de continuar lutando, e se tornou uma grande figura dos direitos LGBT.

Os laços que unem

Sadat usa cuidadosamente a sua novela que se passa em três países – Afeganistão, Paquistão e os Estados Unidos – para explorar ideias de lar, pertencimento, família, amor, sexualidade e identidade em tempos turbulentos. Ele oferece uma figura brutalmente honesta de como relacionamentos homoafetivos são encarados em sociedades homofóbicas. Falando sobre o seu livro, ele disse que é irônico que no Afeganistão – onde a lei de sharia criminaliza atos sexuais com a pena de morte e onde existe absolutamente nenhum espaço para a expressão da sua verdadeira orientação sexual – também exista uma subcultura de tentar unir todas as pessoas. As pessoas irão até logistas que precisam de dinheiro e pagar para usar os quartos dos fundos da loja para passar o tempo com seus parceiros em troca de privacidade.

A missão de Sadat é simples e ainda assim ambiciosa no nosso cada vez mais intolerante mundo – ele deseja espalhar o amor livre, unidade e igualdade para as pessoas da comunidade LGBT. E não sendo um estranho da luta, não existe a palavra “desistir” em seu vocabulário (ele sobreviveu a 450 rejeições antes de ter a sua grande estréia com Kanishka Guptaa da Writer’s Side). Quando eu pergunto para ele o que o mantém em movimento, ele diz, “Sendo ateu, não existe vida após a morte para mim. O que significa que eu estou aqui por um tempo limitado. Depois de me libertar, eu desejo libertar outros, é por isso que eu escolhi ser um ativista e contador de histórias. Eu espero que ‘O tecelão de tapetes’ dê a todos uma coragem e libertação imensa”.

Além das festividades do lançamento do livro, Sadat celebrou o seu 40º aniversário na Índia com várias pessoas que el nunca tinha conhecido anttes. O que é irônico é que ele não sabia com quem ou onde ele iria celebrar o seu aniversário. Entre o Afeganistão e os Estados Unidos, ele disse que ainda não sentia a sensação de “lar” ainda, e talvez o seu protagonista não encontraria um “lar” em Nova York também. “Como refugiado, você constantemente tem que se mudar. Nenhum lugar parece ser o certo, nenhum lugar se parece com sua casa”, ele diz. E igual a sua primeira novela, não importa a perseguição ou a circunstância da tragédia, Sadat tem um espírito de esperança, orgulho e fé no amor que não somente sobrevive mas desafia o sonho de um futuro melhor.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Meet Afghanistan’s first openly gay activist and author, Nemat Sadat

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