Você pode ser gay na internet chinesa?

Tradução do texto de James Griffiths originalmente postado na CNN Business.

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A Weibo não consegue fazer a coisa certa.

Depois de aparentemente censurar a popular hashtag relacionada a questões LGBT, a rede social chinesa sofreu outra onda de críticas dos seus usuários.

As críticas encheram a Weibo com bandeiras do arco-íris e atraíram milhões para postagens com as hashtags relacionadas.

De certa maneira, foi a repetição do que aconteceu ano passado, quando a Weibo lançou a campanha de “limpeza” da plataforma, incluindo a remoção de desenhos e vídeos com temática gay – junto com materiais violentos e pornográficos – para se adequar às leis e regulamentações chinesas.

O serviço semelhante ao Twitter, que tem mais de 400 milhões de usuários ativos, teve que voltar atrás depois de severas críticas de usuários e ativistas.

Ambos os incidentes mostram o quão difícil pode ser para algumas das maiores companhias chinesas lidarem com a constante alteração do governo do que é permitido e do que não é permitido na internet chinesa.

Um porta voz da Weibo não respondeu aos pedidos da CNN para comentar sobre esses casos.

Grande barreira

Enquanto que existem algumas regras do que foi banido na China – pornografia, separatismo, terrorismo, por exemplo – na maior parte das vezes espera-se que as companhias se auto regulem. Não existe uma lista compreensível de temas sensíveis, então as companhias, e suas legiões de censores, tem que deduzir o que alguém posta ou debate é permitido ou não, baseado nas interpretações de pronunciamentos públicos ou campanhas.

“Devido a falta de transparência nas decisões de censura pelo governo chinês, e companhias de mídia social chinesa, nós não conseguimos realmente saber quem estava por trás da censura e como revertê-la”, disse Yaqiu Wang, pesquisador da Human Rights Watch e especialista em mídia chinesa, para a CNN.

Ela disse que uma cláusula vaga na recém aprovada lei de segurança cibernética, sobre respeitar a “moralidade social”, pode “ter levado a Weibo a censurar o conteúdo LGBT”.

A falta de certeza sobre o que deve ser policiado faz com que empresas pensam para o lada da precaução, temendo potenciais punições por falhar na censura de algo que elas não censuraram.

Ano passado, o serviço de perguntas e respostas no estilo Quora chamado Zhiyu foi removido das lojas de aplicativos “devido a falta de supervisão e a divulgação de informação ilegal”, de acordo com as informações de censura vazadas. Outras companhias tem enfrentado multas e suspensões no passado.

Mas, tomando a iniciativa de censura também pode colocar as companhias em maus lençóis, como a Weibo aprendeu agora duas vezes. Enquanto o governo chinês tem aumentado restrições sobre a comunidade LGBT nos últimos meses, existe um direcionamento oficial de que qualquer coisa relacionada a questões LGBT devem ser censuradas.

Isso aparentemente deixou a Weibo presa entre os seus usuários mais jovens e liberais, e os homens mais conservadores que lideram o Partido Comunista, sem ter certeza de quem eles devem agradar e ainda sofrendo com a possibilidade de irritar ambos.

Perseguição?

A breve censura de conteúdo LGBT da Weibo não foi o primeiro sinal de que o posicionamento oficial do país pode estar se tornando mais duro.

A homossexualidade não é ilegal na China e as autoridades a removeram da lista oficial de doenças mentais em 2001. Mas, em anos recentes, o governo comunista sob a presidência de Xi Jinping tem tomado posicionamentos mais duros sobre os direitos LGBT, banindo qualquer apresentação de relacionamentos homoafetivos na televisão e na internet.

Em março, a maior parte das menções sobre homossexualidade foram removidas de “Bohemian Rhapsody”, a premiada biografia do vocalista Freddie Mercury da banda de rock britânica Queen antes da sua estréia na China. Entre as cenas removidas estavam a do beijo entre dois homens e a omissão da palavra “gay” para o público chinês.

De acordo com o South China Morning Post, diversas organizações LGBT, incluindo o Centro de Educação sobre Gênero e Sexualidade de Guangzhou, tem sido fechados nos últimos meses.

Em uma conversa com o Financial Times antes das censuras da Weibo, um porta voz do centro LGBT de Beijing previu que “a censura chinesa de conteúdo LGBT será cada vez mais pesado nos anos que estão para vir”.

Wang, uma pesquisadora da HRW, vê duas razões para a aparente hostilidade do governo para questões LGBT.

“O Partido Comunista quer se afirmar como a única autoridade moral na sociedade Chinesa e ditar o que não é adequado para o publico consumir, normalmente em nome da segurança nacional e estabilidade social”, ela disse.

O governo chinês considera grupos sociais independentes e protestos organizados como uma ameaça ao seu poder, adicionou Wang.

“Eles certamente não querem que a comunidade LGBT da China se torne mais empoderada através de organizações online”.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Can you be gay online in China? Social media companies aren’t sure

Leslie Cheung: um ícone gay da Ásia,

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