Coreanos LGBT residentes na Alemanha retornam a Seoul para o Festival de Cultura Queeer

Tradução do texto de Lee Ji-hae originalmente postado no Hankyoreh.

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Kim In-sin, de 69 anos, é uma minoria sexual que mora na Alemanha, onde ela resolveu ficar depois de sair da Coréia do Sul nos anos 70. Kim voltou para a Coréia para participar do 20º Festival de Cultura Queer que aconteceu no dia primeiro de Junho. Apesar de ter voltado para o seu país diversas vezes no passado, essa é a primeira vez em 47 anos que ela voltou ao país como representante da comunidade LGBT. No dia 22 de maio, Kim foi convidada pela Rainbow House, uma comunidade LGBT do distrito de Mapo em Seoul, onde ela iria participar de um jantar com jovens LGBT e falar sobre como é crescer e envelhecer como uma minoria sexual. “Para ser honesto, foi incrível conhecê-la. Eu nunca conheci uma pessoa LGBT da terceira idade. Eles realmente existem, mas eu sempre me questionei onde viviam e o como era a vida deles”, disse Gwang-hun, um homem gay de 20 anos, quando questionado sobre a sua reunião com Kim, que logo entrará nos seus 70 anos. “Eu também irei envelhecer, mas eu não tenho uma imagem mental de como é ser queer nos seus 70 ou 80 anos. A questão de como me preparar para a velhice é tão impensável que é difícil para mim até mesmo imaginar isso”, Gwang-hun disse, expressando as suas incertezas sobre o futuro. A primeira geração de coreanos que começaram a viver a sua sexualidade fora do armário consistia de pessoas nascidas nos anos 60, e mesmo eles não são fáceis de serem encontrados. Kim e membros da Rainbow House concordaram que, para que minorias sexuais consigam envelhecer, você precisa ter uma comunidade que “aceita você por completo, não importa como você se expresse”.

A Rainbow House é um prédio de apartamentos onde pessoas de várias orientações sexuais moram juntas, o que torna o primeiro exemplo de uma moradia comunitária pública da Coréia criada para minorias sexuais. “Casais LGBT normalmente se separam porque não tem a rede de apoio social. Eu acredito que meu parceiro e eu conseguimos viver juntos apesar das nossas brigas porque nós temos nossos amigos da Raibow House para ajudar na reconciliação e oferecendo-nos apoio”, disse Jeon Jae-woon, um dos moradores da Raibow House. “Mesmo em relacionamentos tradicionais, que são conciliados pela lei e por filhos, muitas pessoas ainda tem problemas. O que nos empodera é que nós fundamos as nossas relações em nós mesmos, em um lugar onde nós podemos receber afirmação da sociedade”, disse a lésbica apelidada de Daisy que mora na Raibow House com sua parceira.

Olhando para 29 anos atrás que ela compartilhou com sua parceira, Kim disse que “o que é importante não é estar atados juntos por um certificado de casamento mas o sentimento de que eu devo estar ao lado da pessoa que eu escolhi estar junta”.

Força e segurança como uma família

Morando junto também eliminou a incerteza. “No começo, eu tinha medo que homofóbicos botassem fogo na minha casa por eu ser uma minoria sexual. Mas depois de morar aqui por alguns anos, eu compreendi que está tudo bem colocar uma bandeira do arco-íris na janela e estarmos juntos trás o sentimento de estabilidade”, disse uma moradora que é conhecida como “Oh Kim”. Aqueles que se opõe à minorias sexuais justificam as suas oposições citando a necessidade de “defender os belos valores da família” (Nas palavras do líder do Partido Libertário da Coréia Hwang Kyo-ahn), mas Kim e os moradores da Rainbow House tem descoberto os “belos valores da família” um nos outros. “É realmente muito bom que a Coréia tenha uma comunidade como a Rainbow House. Eu espero que minorias sexuais mais velhas possam encontrar famílias alternativas cujos membros possam proteger uns aos outros, disse Kim.

Quando Kim disse para os moradores da Rainbow House que ela e sua parceira planejavam realizar uma cerimônia de casamento e estava pensando se usava um terno ou algo mais tradicional, um dos moradores sugeriu que elas vestissem smokings, enquanto outro disse que cada uma deveria vestir o que quisessem. Essa foi sem dúvida uma cena de uma família que “te aceita completamente, não importa como você se expresse”. Sociedades que são abertas para minorias sexuais os oferecem uma chance de envelhecer de uma maneira que seja verdadeira para as suas orientações sexuais. “A Alemanha legalizou o casamento homoafetivo em 2017 mas já tinha permitido a união civil antes disso. O escritório do governo alemão para a religião também oficialmente expressou o seu apoio para minorias sexuais. Na Alemanha, a parada queer é um festival para todos”, disse Kim.

Todos os alemães são protegidos da discriminação baseada em raça, religião, gênero, deficiência e sexualidade por uma lei chamada de Ato Geral de Tratamento Igualitário, que foi efetivado em 2006. Ao participar da parada queer da praça de Seoul, Kim quer mostrar que pessoas LGBT da terceira idade existem na Coréia. Por um tempo, Kim sonhou em se tornar pastora e até mesmo se formou na Universidade de Humbold de Berlim com um mestrado em Divindade. Então ela conseguiu subir em um dos carros da parada, segurando uma cruz com as cores do arco-íris. “Se alguém perguntar onde essa senhora apareceu, eu vou ter que dizer que ela foi importada da Alemanha”, ela conta com um grande sorriso. Ela espera que as pessoas se opõe à sua vida “em nome de Deus” irão estar lá para ver ela também.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Korean-born sexual minority residing in Germany returns to Seoul for Queer Culture Festival

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