Por que eu me tornei uma ativista drag na Coréia do Sul

Tradução do texto de Heezy Yang originalmente postado no Gay Star News.

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Eu nasci no dia 3 de julho de 1990 no centro de Seoul na Coréia. Eu tive pensamentos vagos sobre ser gay quando eu terminei os meus estudos no fundamental. Mas eu tive certeza disso quando eu estava no ensino médio, por volta dos 14 anos, eu acho.

Para um homem coreano que vive na sociedade coreana, eu tive muita sorte quando eu saí do armário.

Meu pai fazia parte do cenário artístico, e minha mãe era uma professora. Ela constantemente tinha que manter contato com as gerações mais novas, eram bem educados e tinham a mente aberta.

Minha irmã é quatro anos mais nova que eu e a geração dela é bastante mente aberta com questões LGBT e outras coisas. Então não teve muito drama e todos me aceitaram por quem eu era, e hoje eles apoiam a minha arte LGBT e também o meu ativismo.

Mas eu vi muitos amigos, conhecidos, e outras pessoas passarem por tempos difíceis porque a sua família e amigos e o ambiente e circunstâncias em volta deles não são receptivas.

Alguns chegaram a tirar a sua vida. Isso acontece quase todos os anos com algumas pessoas que eu conheço. Isso é triste e devastador.

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Heezy Yang apresenta no Pink Dot de Seul em 2019

Experimentando com drag

Foi em 2014 quando eu primeiro experimentei drag. Eu me inspirei em amigos artistas drag. Naqueles dias, alguns artistas drag existiam na Coréia, mas praticamente não existia uma cena drag.

Ao mesmo tempo que eu estava explorando e tentando algo novo, isso me deu um tipo de alívio e um sentimento de liberdade. Mas eu também me senti um pouco desconfortável porque não era simplesmente o que um “homem normal” faria em uma sociedade hetero-normativa e conservadora que eu cresci.

Porém, quanto mais eu ficava envolvido no cenário LGBT com minha arte e ativismo, eu fiz alguns sábios amigos. Eles me ensinaram muito, e quanto mais confortável eu me sentia com a maquiagem, com drag, eu ficava mais confortável comigo mesmo em geral.

No começo dos meus 20 anos, eu abandei o curso de administração e segui o meu sonho de ser um artista. Eu queria usar a minha arte para me expressar e como eu me sentia, mas eu também queria incluir minha identidade queer em todo esse processo.

Eu me tornei amigo de vários grandes ativistas LGBT que trabalham em organizações, e por jovens LGBT em situação de rua. Eles me inspiraram. Eu queria fazer algo como isso e queria apoiá-los mas eu queria fazer da minha maneira – com arte.

Então eu tentei fazer mais trabalhos políticos, e pôsteres que pudessem ser usados em protestos, e comecei a usar a minha performance como drag para trazer visibilidade e conscientização.

Eu não performo somente em palcos, mas eu também performo nas ruas para que eu possa mostrar a minha arte e espalhar a minha mensagem para um público maior.

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Heezy Yanh usou muito as ruas para sua arte performática no Coréia do Sul para aumentar a conscientização sobre direitos LGBT

Lutando por mudanças e conscientização na Coréia do Sul

Estando profundamente envolvido no cenário LGBT de Seoul, questões relacionadas à comunidade LGBT é o que eu primeiramente discuti com a minha arte e ativismo. Não existe nenhuma prioridade fixa nesse campo. Ela muda de acordo no que está acontecendo no mundo nesse momento.

Dito isso, uma boa amiga trabalhava em um centro de apoio para jovens LGBT, Ddingdong. Eu sempre me inspirei com ela e o trabalho do time dela. Eu tentei ter em mente os jovens vulneráveis o máximo possível. Por questão de urgência, eu diria que precisamos de uma lei contra a discriminação aqui na Coréia.

Depois de Taiwan, nós esperamos que o casamento igualitário chegue aqui na Coréia do Sul.

A Coréia muda muito rápido. As gerações mais jovens estão trabalhando muito duro para tomar controle das coisas aqui e criar uma mudança. Da mesma maneira que tendências de moda e cultura pop podem mudar extremamente rápido na Coréia, questões políticas e trabalhos de ativismo podem agir de maneira rápida também.

Eu acho que é possível que tenhamos o casamento igualitário nos próximos cinco ou dez anos.

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Arte de Heezy Yang

Parada Drag de Seoul

Eu me envolvi com drag, arte de rua, ilustrações, textos e fotografias. Não existe um que eu goste mais que os outros. Algumas vezes eu estou focado em alguma coisa do que nas outras.

Em 2018 eu fundei o o evento de uma parada e uma organização chamada Parada Drag de Seoul, então no momento eu consegui fazer muitos trabalhos relacionados com drag. Hurricane Kimchi é meu nome drag. No começo desse ano, eu escrevi um livro “Seoul+Drag” que consiste em entrevistas e fotos de 20 artistas drags de Seoul.

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Heezy Yang na capa da revista Groove da Coréia

Da Coréia para Londres

Fora da Coréia, eu somente viajei para o Japão e China para visitas bem curtas quando eu era um adolescente.

Em 2017, eu viajei para Londres, e essa foi a primeira vez que eu sai da Ásia. Foi para a Conferência Queer Asia que foi realizada na SOAS, Universidade de Londres. Eu fui convidado para performar como uma artista drag. Desde então eu mantive um bom relacionamento com Londres.

Em 2018, eu voltei para explorar o cenário drag um pouco mais, conhecer melhor a cidade, e fui para Nova York parra participar da KQTCON (Conferência de Coreanos-americanos Queer e Trans) como um artista queer e apresentar a minha ilustração.

Eu estou ansioso para voltar para Londres. Eu irei participar de seminários como um artista queer no Museu Britânico. E irei exibir as minhas ilustrações em uma exibição coletiva em SOAS. Então a minha exibição solo e um show de drag irá acontecer na Galeria Take Courage em New Cross. Será uma exibição retrospectiva por toda a minha carreira. Eu mesmo e algumas drag locais, amigos artistas queer e aliados, irão também participar do show.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Why I became a drag activist in South Korea

Parada do Orgulho continua sendo centro de tensões na Coréia do Sul

Ativistas apontam que a Coréia do Sul está deixando direitos LGBT de lado

Como foi a Parada Drag de Haebangchon

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