Essa banda LGBT está usando a música para enfrentara discriminação na Malásia

Tradução do texto originalmente postado no South China Morning Post.

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Com músicas como Eu acordei GayLésbica Solitária, a banda punk LGBT Shh…Diam! está ganhando destaque na Malásia, usando a sua música para lutar contra a atual discriminação. O grupo de quatro membros é uma raridade no país, onde questões LGBT são normalmente um tabu, vestir roupas de outros gêneros é ilegal e a sodomia é criminalizada por uma lei da era colonial britânica.

O seu nome, que significa “cale a boca” na língua malaia, pretende tirar sarro dos críticos por tentar silenciar as pessoas LGBT do país. “Nós nunca intencionalmente nos colocamos como uma banda LGBT”, disse o vocal Faris Saad, um jovem trans de 34 anos que começou a sua transição em 2014, antes da sua apresentação na capital de Kuala Lumpur. “Mas eventualmente a nossas experiências de vida acabaram entrando na nossa música e não podemos fazer nada sobre isso. Você tem que ser honesto – então é isso que somos com a nossa música”.

Diversos incidentes no país tem criado preocupações entre ativistas de que o clima do país para a comunidade LGBT estava deteriorando rapidamente.

Em agosto do ano passado, oficiais do governo mandaram remover retratos de dois ativistas LGBT de uma arte de exibição e uma mulher trans foi atacada, criando uma reação pública.

E em setembro, duas mulheres no estado de Terengganu foram punidas fisicamente sob a lei da sharia depois de serem pegas tentando fazer sexo em um carro.

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As músicas de Shh…Diam! também fala sobre tópicos como brigas de colegas de quarto, filmes de Bollywood – e até mesmo bainheiros.

Shh… Diam! teve o seu improvável começo nove anos atrás. Os organizadores de uma festa lésbica estava procurando uma banda para entreter as participantes, então o músico Faris rapidamente montou o grupo com algumas conhecidos.

Desde então, eles construíram uma pequena mas firme base de fãs dentro da comunidade LGBT ao mesmo tempo que produzindo dois álbuns e performando em diversos países da Europa.

Criado em uma família muçulmana, Faris já sabia desde pequeno que o corpo feminino lhe causava disforia. Ele decidiu transicionar logo depois de completar 30 anos. Mas para conseguir tratamento hormonal que ele precisava, ele primeiro necessitaria passar por uma avaliação psiquiátrica de seis meses para ser diagnosticado com “desordem de identidade de gênero”. “Eu me acho muito confiante que eu agora estou no meu próprio corpo”, ele diz.

Faris, que também é um jornalista freelancer, explica que a banda queria encorajar outras pessoas LGBT a se abraçarem como ele fez, ao mudar a percepção limitada que existe sobre a comunidade. “Nós fomos vilanizados pelo governo. De acordo com o governo, pessoas LGBT são perversas e pedófilas. Eu queria mudar isso”.

O recente onda de ataques contra a comunidade LGBT e a retórica homofóbica de oficiais do governo tem se encaixado com o que os críticos chamam da ascensão de um conservadorismo religioso, que tem erodido o Islã tradicionalmente brando e tolerante da Malásia.

Mais de 60% da população de 32 milhões de malaios são muçulmanos, mas o país também é lar de um grande número de minorias étnicas que praticam outras religiões. Líderes religiosos estão entre aqueles que tem se pronunciado contra a comunidade LGBT, argumentando que a homossexualidade é proibida pelos ensinamentos religiosos.

“Deus criou o homem e a mulher e os criou em pares. Nós não podemos ir contra isso, é errado”, disse Harussani Zakaria, um popular mufti, ou acadêmico islâmico, residente na Malásia. “Nós não somos contra a democracia, nós só não podemos ir contra a ordem de Deus. Até mesmo animais não tem relacionamentos homossexuais”.

Desde que Shh…Diam! foi criado, eles não tiveram nenhum conflito com as autoridades, e já se apresentaram em espaços independentes e em áreas urbanas onde o público normalmente aceita a música deles.

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Shh…Diam! já se apresentou em diversos países da Europa

A música da banda é uma mistura de metal, punk e jazz. As suas músicas também tocam em temas como brigas de colegas de quarto, filmes de Bollywood – e até mesmo banheiros.

A guitarrista, que gostaria de ser referenciada por Yon, diz que a banda tem como objetivo dar para pessoas LGBT uma maneira de escapar a discriminação diária e simplesmente se divertiram com a música.  “É a nossa experiência e coisas aleatórias que gostamos e colocamos em nossas músicas”, disse Yon, que é bissexual. “O principal objetivo da banda é nos divertirmos. Nós amamos tocar nossa música… o ativismo LGBT que vem com a banda é somente um reflexo de quem nós somos”.

O fã de música Indie Gary Tay, que estava na pequena platéia que apareceu para ver a banda, diz que ele acredita que artistas como Shh…Diam! deveriam poder cantar sobre qualquer coisa que eles acreditassem.

“Eu desejo que um dia na Malásia, em um futuro próximo, nós possamos conversar sobre essas questões abertamente”, ele disse.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): This LGBT band is using music to fight Malaysian discrimination

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