Rapper de Cingapura se assume gay em nova música

Tradução do texto de Andre Frois originalmente postado no The Soth China Morning Post.

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O rapper de Cingapura Joshua Su se assumiu gay em sua nova música e vídeo, I’m OK.

Nessa faixa, o rapper se volta para os primeiros anos de vida em uma escola somente para meninos onde estudantes normalmente sofrem bullying, antes de tratar questões que o oprimiam ao longo dos anos: “Quando eu crescer, eu terei filhos?/ Não posso/ Eu terei que casar com uma mulher de seios grandes?/ Não/ Eu estou doente? Isso é uma doença? Eu posso ser curado?”.

Hoje morando em Hong Kong, o artista de 34 anos começou a sua carreira como rapper em 2009 quando ele lançou o seu primeiro álbum. Ele já competiu em diversas batalhas de rap e teve a sua música apresentada em rádios de Cingapura, onde a homossexualidade ainda é punida pela lei.

Su contou para o South China Morning Post que ele teve a sua primeira experiência sexual gay quando tinha 12 anos. “Mas eu reprimi meus sentimentos e desejos até eu conseguir me entender quando tinha 27 anos. Esses sentimentos reprimidos causaram diversos problemas na minha vida. Eu fiquei deprimido e me odiei por muito tempo”, ele conta.

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O rapper de 34 anos começou a sua carreira em 2009 (Foto: Chenfor)

“Uma vez eu tentei cometer suicídio e eu não me orgulho disso. Por volta de 2010 ou 2011, eu não conseguia aceitar quem eu era mais. Eu não tinha amigos gays, eu me sentia marginalizado e eu estava bebendo muito. Eu tentei me matar porque eu pensei que ser gay era uma doença”.

Su conta que não existia apoio disponível para jovens de Cingapura como ele que estavam descobrindo a sua sexualidade.

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Su se sentia isolado e sozinho por causa da sua sexualidade. (Foto: Jack Shum)

“Nós não temos ninguém a quem buscar ajuda. Foi realmente difícil. Eu simplesmente sabia que ser gay não era certo. Eu via como outros meninos afeminados eram tratados e os nomes que eles eram chamados. Meus amigos, incluindo eu, éramos muito homofóbicos enquanto crescíamos. Eu pensei que por sermos homofóbicos, menos pessoas iriam suspeitar que eu me sentia atraído por meninos”, ele conta.

“Casais do mesmo sexo não podem se candidatar para moradias populares (como um casal). Se você é homossexual em Cingapura, você enfrentará discriminação da sociedade, amigos e até mesmo da sua família”.

Ele disse que eventos recentes como o mês do Orgulho, o 50º aniversário das revoltas de Stonewall no Greenwich Village, Nova York, e a legitimação do casamento homoafetivo em Taiwan o encorajaram a se assumir publicamente na música I’m OK.

“Enquanto meus amigos me apoiaram e foram bem receptivos ao I’m OK, existem algumas pessoas que me dizem que a homossexualidade é uma escolha”, disse Su.

“Homofobia ainda é muito comum em Cingapura. Eu costumava a fazer rap sobre dinheiro, mulheres e me exibir. Hoje eu costumo dizer à crianças que estão passando pelo o que eu passei, que ser gay é perfeitamente ok. Meu objetivo é que homofóbicos cantem I’m OK – então a mensagem da música estará completa”.

O amigo de Su, Bhuvan Balasurian, aparece no vídeo de I’m OK. Um ano mais novo que Su, Bhuvan conheceu o rapper quando ele estava no primeiro ano do secundário e Su estudava no segundo ano na Escola Secundária de Saint Gabriel. “Eu o chamei de um grande viado”, brinca Bhuvan.

Bhuvan conta que só descobriu que Su era gay há três ou cinco anos atrás. “O fato de ser hétero ou gay não muda quem ele é para nós ou como nós o tratamos. Eu gosto de conversar com ele toda vez que ele volta para Cingapura e eu espero estar do lado dele quando ele voltar em agosto”.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Singapore rapper comes out as gay in song, recalls childhood when he ‘didn’t have anyone to turn to’

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