Estudo aponta que 70% da população de Cingapura desaprova o casamento homoafetivo

Tradução do texto de Calum Stuart originalmente postado no Gay Star News.

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Quase 70% da população de Cingapura desaprova relacionamentos homoafetivos, aponta um estudo.

O número de pessoas que desaprovam é mais alto entre cristãos, muçulmanos e hindus.

O material, produzido pelo Instituto de Estudos Políticos de Cingapura, observou a resposta de 1.800 cidadãos de Cingapura sobre as suas visões sobre religião.

Porém, ativistas LGBT do país questionaram a metodologia adotada pela pesquisa.

As descobertas da pesquisa vem na contramão dos recentes movimentos de ativistas LGBT de Cingapura.

Visões negativas

A pesquisa descobriu que 67,9% dos entrevistados responderam que “relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo” era “sempre errada”.

Somente 16,4% dos entrevistaram disseram que “não há nada de errado” em relacionamentos homoafetivos.

Essa pesquisa apontou que atitudes negativas contra pessoas do mesmo sexo eram mais altas entre muçulmanos (com 85%).

O segundo grupo que apresentou mais atitudes negativas foram os cristãos com 78,3% e os Hindus com 78%.

Aqueles que disseram não ter nenhuma religião tiveram as atitudes mais positivas em relação aos relacionamentos homoafetivos.

O estudo também apontou que entrevistados mais jovens estavam mais abertos a aceitar relacionamentos homossexuais, incluindo muçulmanos e cristãos.

“Ignora a realidade de muitos indivíduos LGBT”

Porém, Leow Yangfa, diretor executivo da ONG de apoio a comunidade LGBT, Oogachaga, questionou a metodologia dessas descobertas.

“É um pouco inapropriado que as opiniões de uma maioria deva ser considerada como base para determinar se uma minoria – no caso, casais homoafetivos e toda a comunidade LGBT – deveria ter acesso a direitos humanos básicos como amor e relacionamentos consensuais, e não serem criminalizados”, disse Yangfa para o Gay Star News.

“A pesquisa ignora completamente a realidade de muitas pessoas LGBT, casais e familiares que são religiosos ou pertencem a comunidades de fé”.

Yangfa adicionou que qualquer implicação de que existe uma polarização entre religião e as comunidades LGBT em Cingapura “estão longe da verdade”.

“Muitas pessoas LGBT com quem trabalhamos vem de famílias e comunidades que são cristãs, muçulmanas, hindus, budistas e taoistas, e muitas reconhecem a religião, fé e espiritualidade como fonte importante de guia, apoio e aceitação”.

Apoio para a manutenção de leis LGBTfóbicas

Essa não é a primeira pesquisa que apontou uma desaprovação de relacionamentos homoafetivos em Cingapura.

Uma pesquisa apontou que cidadãos de Cingapura eram favoráveis à manutenção da seção 377A, uma lei da era colonial britânica que criminaliza relacionamentos homossexuais entre dois homens.

Antes disso, uma petição lançada em favor da manutenção da Seção 377A recebeu mais de 109.000 assinaturas.

Esse foi o dobre de assinaturas que a petição para a abolição da lei recebeu.

Apesar da lei ser raramente aplicada, muitos grupos LGBT consideram que a manutenção da lei tem um efeito enorme na criação de atitudes negativas contra direitos LGBT na cidade-estado.

Luta por direitos

Novos pedidos pela abolição da lei da era colonial aconteceram depois da decisão indiana de repelir a seção 377 do Código Penal. O código penal de Cingapura é fortemente moldado no código penal indiano.

Pink Dot, um evento de direitos LGBT de Cingapura, apresentou pedidos notáveis de abolição da seção 377A pela primeira vez em 2018.

A Ready4Repeal foi lançada logo depois, que reuniu uma pequena coalizão de ativistas LGBT pedindo pela abolição da lei.

Porém, existem poucas evidências de que os políticos de Cingapura irão tomar uma atitude sobre o tema.

O ministro de leis e questões internas K. Shanmugam disse que o governo irá somente considerar o fim da lei se receber um apoio da maioria da sociedade.

O governo também prometeu fortalecer as leis de adoção depois que a suprema corte do país garantiu a um homem gay em um relacionamento homoafetivo de adotar o seu filho concebido por barriga de aluguel.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): 70% of Singaporeans disapprove of same-sex relations, study finds

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