Como foi a Parada Drag de Haebangchon

Tradução do texto de Oh Yeon-seo originalmente postado no Hankyoreh.

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Cerca de 300 pessoas caminharam na vizinhança de Haebangchon, em Seoul, vestindo perucas coloridas e maquiagem artística. “Essa é uma parada LGBT?”, sussurrou umas das pessoas que observava os participantes. Enquanto isso, os participantes acenavam e sorriam para todos que assistiam a parada. Foi um momento onde palavras como “masculino” e “feminino” não tinham sentido. Distinções baseadas em gênero não tinham espaço – como saias e saltos tipicamente reservados para mulheres, ou ternos e gravatas exclusivamente designados para homens. As pessoas estavamparticipando da segunda Parada Drag de Seoul, que aconteceu na área de Haebangchon no distrito de Yongsan, próximo de Itaewon. Participantes caminharam por apenas meia hora em um trajeto que cruzou Haebangchon até Itaewon. Foi o último dia de uma série de eventos. As montagens fazem parte de uma área da cultura LGBT conhecida como drag. É uma expressão pessoal de uma pessoa através de roupas e maquiagem se a distinção de gênero ou identidade sexual. A cultura drag primeiro ganhou atenção na Coréia do Sul graças ao aparecimento de Drag Queens em musicais populares como “Kinky Boots” e “Hedwig and the Angry Inch”.

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Na frente da parada, o representante do comitê organizativo da Parada Drag de Seoul, um jovem de 29 anos conhecido pelo nome de palco Heezy Yang, carregava uma placa com o nome do evento. Heezy Yang, que começou a fazer drag em 2014, estava nessa posição pelo segundo ano seguido. “Drag é para todas as pessoas, LGBT ou não, para deixar de lado as opressões da sociedade  e as demandas dos papéis sociais com o objetivo de se envolver livremente na auto-expressão”, ele disse. “A Parada Drag é um movimento sobre direitos humanos, sobre a autodescoberta e da luta contra pré-concepções ao usar roupas e maquiagem para se expressar sem se preocupar com as diferenças de gênero ou noções pré-concebidas sobre como homens e mulheres ‘devem ser'”, ele complementa.

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Cultura Drag não é o mesmo que cultura LGBT

De acordo com Heezy Yang, a grande diferença entre a Parada Drag e o Festival de Cultura Queer é que o primeiro foca na cultura drag, enquanto que o segundo se preocupa na cultura LGBT como um todo. Ao mesmo tempo, ele afirma que o evento era “semelhante” a Parada Queer ao compartilhar o “objetivo de levar pessoas LGBT para as ruas pela luta de direitos humanos”. Os organizadores aumentaram o interesse em questões LGBT ao aumentar a duração do evento de um dia para três. O evento começou com uma exibição de fotos da cultura drag, seguida da exibição de filmes com temas queer como “Itaewon Urban Legend” e “Ultra Blue” e um debate com os diretores desses filmes.

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“Nós realizamos um evento de três dias dessa vez para abordar não somente aspectos drag como uma forma de cultura do entretenimento que você encontra nos clubes, mas também a arte através de exibições e exposições”, explicou Heezy Yang. “Eu não via manifestações e bandeiras como uma das únicas maneiras de lutar por direitos humanos. Eu acho que é uma forma de campanha de direitos humanos quando nós nos expressamos e encorajamos e inspiramos outros”, ele adicionou. “Shows de drag são apresentações que normalmente você só vê em clubes. A importância da Parada Drag consiste em mostrar a cultura LGBT abertamente e despertar o interesse ao mostrar essas pessoas caminhando nas ruas com orgulho em plena luz do dia”. Algumas das barracas montadas antes da parada incluía uma promovendo a prevenção de HIV/AIDS dentro da comunidade LGBT e um espaço para se escrever cartas de encorajamento para pessoas LGBT.

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Eventos de Drag sem Álcool que incluam pessoas mais novas

Como um festival preparado para receber todas as pessoas, os organizadores também criam oportunidades para jovens participarem. Como apresentações de drag e outras performances são realizadas em clubes noturnos, jovens que não tem acesso tem poucas oportunidades de entrar em contato com a cultura drag. Depois do “show drag sem álcool” do ano passado, a parada drag de Seoul desse ano permitiu que jovens tivessem acesso ao evento nos três dias (com exceção da festa noturna). Também ficou evidente a participação de pessoas que não estavam vestidas em drag. Park Hyeon-seo, um trabalhador de 27 anos de uma companhia de teatro, explicou: “eu descobri a cultura drag em 2016, e eu pensei na época que era somente sobre homens gays se vestindo em roupas de mulheres”. “Eu desenvolvi um interesse na medida que eu fui aprendendo mais sobre ela, sem as preocupações sobre coisas como papéis de gênero”, disse Park.

Skim, que fez uma apresentação de drag antes da parada, explicou que “o que eu acho mais atrativo da cultura drag é como eu estou quebrando as distinções e expressões de gênero livremente para mim mesmo”.

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Drag não é sobre homens imitando mulheres

Comentando sobre a controvérsia da percepção de drag ser uma sátira do que é ser mulher ou trans, Heezy Yang disse, “Meu entendimento é que essas acusações foram feitas sobre pessoas que apreciam a cultura drag, como homens enfatizando excessivamente os corpos femininos”. “Mas a essência da Drag não é sobre homens gays imitando mulheres”, ele adiciona. “Eu não faço drag porque quero imitar uma mulher. Eu faço drag porque eu quero me expressar livremente e despedaçar papéis de gênero sobre ‘masculinidade’ ou ‘feminilidade’, sem negativar o fato de que eu sou um homem. Eu também penso que a mensagem que precisamos levar seja clara para o nosso público”. O comitê de organização da Parada Drag de Seoul disseram que planejam realizar o evento anualmente no futuro. “Nós também pretendemos alcançar além de Itaewon para que mais pessoas possam se interessar não somente no aspecto de entretenimento da cultura drag, mas nas questões de direitos humanos  relacionados aos aspectos artísticos da drag”, disse o comitê.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): 2nd Seoul Drag Parade kicks off in Haebangchon

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