Como é o dia dos namorados para J., ativista da Coréia do Sul

Tradução do texto originalmente postado na Amnesty Internacional.

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J soube que era lésbica antes mesmo de conhecer a palavra. Hoje com 27 anos, ela se assumiu para os amigos próximos mas ainda não se assumiu para ninguém da sua família, já que ela prefere que eles não saibam. J trabalha para uma ONG coreana e encontrou a sua parceira a dois anos atrás quando ela fez um curso de curta duração na Academia SOGI (Sexual Orientation and Gender Identity). J está excitada sobre a celebração do dia dos namorados com sua parceira.

Quando você percebeu que era lésbica?

Eu percebi que era lésbica quando eu ainda era uma menina, mas eu fiquei dentro do armário até os 20 anos. Eu me senti tão triste e sozinha na universidade, já que não tinha ninguém com quem eu pudesse conversar sobre isso. Desde então, eu decidi me assumir e aceitar a minha identidade.

I became aware I am a lesbian when I was a little girl but I was in the closet even when I was 20 years old. I felt so sad and lonely at university, as there was nobody I could talk with about this. Since then, I decided to come out of the closet and accept my identity.

Como os seus amigos reagiram com essa notícia?

Todos os meus amigos sabem que eu namoro. A maioria dos meus amigos LGBT já a conheceram, porém, os meus amigos héteros ainda não e eu acho que eles nem querem conhecer ela.

Eu sou muito afetiva com minha namorada, sempre estamos de mãos dadas, nos beijamos e abraçamos em todos os lugares.

Eu não me importo sobre o que os outros pensam, então eu não percebo a reação deles. Porém, uma vez, quando eu estava acariciando os cabelos dela enquanto esperava o metrô, uma senhora gritou “Vocês não são lésbicas ou coisa parecida, né?”. Isso foi uma experiência muito desagradável.

Quais são os desafios que os casais LGBT enfrentam na Coréia do Sul?

Nós não somos reconhecidas como um casal nessa sociedade hetero-orientada. Por exemplo, minha namorada pode não conseguir comparecer no funeral dos meus pais porque eu não sou assumida para a minha família ainda.

Na Coréia do Sul, casais heterossexuais podem começar e construir a sua relação de maneira natural, algumas vezes até acidentalmente nos seus dia a dia, porém, casais LGBT precisam de uma precaução especial para encontrar alguém. Precisamos de esforços extras para encontrar uma pessoa. Por exemplo, usando aplicativos de encontros, participar de eventos queer ou perguntando para amigos queer que nos apresentem para outras pessoas, etc. Eu acho que nós temos menos opções para encontrar outras pessoas do que casais heterossexuais.

Você está excitada para o dia dos namorados? Alguma memória inesquecível?

Eu gosto do dia dos namorados porque eu gosto muito de chocolates! No dia dos namorados, existem muitos chocolates chiques a venda e eu amo isso.

O dia dos namorados do ano passado foi muito especial porque foi o primeiro com minha atual namorada. Nós trocamos chocolates deliciosos. Eu ainda me lembro do rosot da minha namorada quando eu dei para ela os chocolates e dos sabores de cada um deles. Eu sempre me sinto feliz quando me lembro desse momento.

Como você irá celebrar o dia dos namorados desse ano, você irá presentear a sua namorada?

Eu tenho um presente para ela, mas é um segredo!

O que você acha do tratamento que o governo da Coréia do Sul e a sociedade dão para pessoas LGBT?

Eu acho que o governo e a sociedade tentam nos apagar. A mídia normalmente usa palavras como “Bromance” (브로맨스) ou “Crush de Menina” (걸크러쉬) quando eles descrevem o amor entre dois homens ou duas mulheres, eles não querem reconmhecer a existência de gays ou lésbicas.

Nós não temos o casamento igualitário ou a parceria civil, então casais LGBT não podem receber os benefícios ou proteções do governo mesmo se eles morarem juntos por um longo tempo.

Que mudanças você espera para melhorar a igualdade entre casais independente da sua orientação sexual ou identidade de gênero? 

Eu quero ver a nossa sociedade aceitar a diversidade. Para criar essa cultura, nós precisamos oferecer uma educação amigável para temas queer nas escolas e famílias. Para oferecer essa educação, nós precisamos de um “ato contra a discriminação”. Nós também precisamos legalizar o casamento homoafetivo.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): South Korea: Valentine’s Day for activist J

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