Fotógrafo mostra que “não curto orientais” é só mais uma besteira racista

Tradução do texto de Humberto Leon originalmente postado no Them.

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Como um adolescente que cresceu em uma família tradicional asiática que não entendia a minha homossexualidade, eu constantemente me encontrava em busca de figuras masculinas asiáticas para me espelhar. Eu queria dar uma olhada no que a vida poderia me oferecer – alguém que se parecesse comigo e poderia entender a minha luta. Mas tudo o que eu via nas revistas e nas telas de televisão era de uma suposta existência que eu nunca poderia ser: malhado, branco, de queijo quadrado. Eu pensava se era isso que eu deveria ser, ou pelo menos estar junto. Foi o que a sociedade gay me disse que era o pináculo da beleza masculina.

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Tony veste: calças Ambush.
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Shiao veste: blusa Kenzo, sunga Yuasa.

Por muito tempo, eu pensei que me assumir iria abrir as portas para um lugar onde eu pudesse estar livre para me identificar sem julgamento. Como homem gay, nós sempre passamos por uma jornada emocional para descobrir quem realmente somos; permitir que sejamos vulneráveis o suficiente para sair do armário e deixar que a nossa vida possa seguir o próprio caminho. E enquanto eu recebi aceitação de inúmeras maneiras através dos meus amigos, me assumir também significou a minha entrada em um mundo cheio de uma distinta forma de preconceito – onde o racismo é evidente e todos são catalogados dentro de caixas fechadas.

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Andrew veste: colar John Hardy, calças Sean Suen, botas Space Cowboy

Eu rapidamente aprendi que um dos tipos de preconceitos existentes dentro da comunidade gay era voltado contra homens asiáticos. “Não curto orientais” ou “Sem orientais por favor” podia ser encontrado em vários anúncios pessoais (na época anterior à internet), ou em perfis de aplicativos de namoro dos dias de hoje. É um mistério para mim como essas frases vazias são usadas, e se tornaram enraizadas a ponto de serem aceitas. Se alguém finalmente mostra interesse em homens asiáticos, eles talvez estejam procurando o esteriótipo do asiático submisso. Outros homens gays querem nos dominar e nos descartar. Somos vistos como objetos que podem ser fetichizados e colecionados.

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Frankie veste: Camisa Sacai, sunga Yuasa, botas Space Cowboy
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John veste: viseira Opening Ceremony, camisa Opening Ceremony x Aloha Blossom

Depois de 25 anos assumido, sair para bares e conversar com pessoas que não tinham nenhum problema em falar na minha cara que elas não namoram asiáticos parecia ser a norma. Quando eu me mudei para Nova York no final dos anos 90 eu fui com o meu amigo asiático para a The Web, um bar gay asiático que parecia um oasis onde pessoas de pensamentos semelhantes poderiam se encontrar, dançar e compartilhar experiências. Eu mal sabia que esse seria um lugar de divisão – um lugar onde asiáticos competiam para ganhar a atenção de homens não-asiáticos que apareciam no clube. Quase todos os meus amigos asiáticos sofreram algum tipo de racismo dentro da comunidade gay, e eu não consigo imaginar quantos ao redor do mundo também sentiram isso.

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Andrew veste: calças Gauntlet Cheng.
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Garret veste: casaco Yohji Yamamoto, camisa CFGNY, sunga Yuasa, botas Kenzo.

Por algum tempo, eu queria criar uma declaração que mostrasse a diversidade de homens asiáticos que encontrei em Nova York – talvez para responder aos muitos esteriótipos falsos e internalizados que ainda nos assombram hoje. Eu queria ajudar a mostrar o homem gay asiático moderno, um grupo sub-representado na mídia, da maneira que existimos hoje.

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Jin (esquerda) veste: chapéu e calças Kenzo, botas Space Cowboy. Dylan (direita) veste: regata Opening Ceremony, calças Kenzo, botas Space Cowboy.
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Tony veste: terno Ambush.

Os homens desse portfólio vieram de uma origem diversificada: chineses, vietnamitas, tailandeses, cingapurianos, japoneses, filipinos, coreanos, multi-raciais. Eles não são modelos; eles são designers, chefs, drag queens, arquitetos, diretores e professores. Eles são poderosos, inteligentes, sexuais e provocativos. Eles têm nuances e não se encaixam em caixas como submisso ou dominante – eles expressam o desejo de maneiras distintas. Eles quebram a ideia de que a sexualidade masculina asiática é um tabu.

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David veste: Chapéu Opening Ceremony.
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Alika veste: vestido Gauntlet Cheng, choker Zana Bayner. Garret veste: casaco Yohji Yamamoto.

O fotógrafo 223, que viajou de Beijing para colaborar com esse projeto, capturou homens fortes, masculinos, femininos e sensuais que representam o homem asiático, mas são apenas uma fração de nossa enorme população na comunidade gay. 223 foi importante para trazer essa série à vida porque o seu trabalho celebra a sensualidade masculina e a beleza da maneira mais autêntica possível. Esse portfólio também foi feita com a ajuda de uma equipe inteiramente asiática: fotógrafos, estilistas, cabelereiros, maquiadores. Todas as roupas são de criação de designers com ascendência asiática.

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Patrick veste: Chapéu Custom Opening Ceremony, Casaco Yohji Yamamoto, calças Sean Suen.
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Andrew (esquerda) veste: Camisa Opening Ceremony. Alika (direita) veste: vestido Sacai, suéter Gauntlet Cheng.

Para casa homem asiático como eu, existe uma criança em algum lugar tentando entender como se assumir, que não sabe como é viver do outro lado. Nós não podemos lutar por igualdade LGBT sem lutar contra o racismo, e nós precisamos começar dentro da nossa própria comunidade. Você está olhando para o homem gay asiático moderno, que não precisa viver de acordo com os padrões e esteriótipos do ocidente.

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Daniel veste: shorts Black Eye Patch.
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Daniel veste: Camisa e shorts Black Eye Patch.

Fotografado por 223
Diretor criativo, Humberto Leon
Editor de moda, Mark Jen Hsu
Cabelo, Takashi Yusa
Maquiagem, Grace Ahn

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): These Steamy Photos Prove Your “No Asians” Rule Is Racist Bullsh*t

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