Franquia de Drag Race coroa a primeira participante trans

Tradução do texto de Mikelle Street originalmente postado na OUT.

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Enquanto os espectadores estavam assistindo e criticando a 11ª temporada de RuPaul’s Drag Race, na Tailândia, fãs de Drag Race assistiam a final da segunda temporada. A grande noite estava sendo esperada com grandes expectativas porque o top três incluía duas drag queens que foram eliminadas anteriormente, e pela primeira vez, duas mulheres trans. Uma delas, Angele Anag foi coroada a vencedora, tornando ela a primeira mulher trans a ganhar em toda a franquia de Drag Race.

Drag Race Thailand é uma franquia superior. Ok, talvez isso seja uma declaração ousada, mas ela apresenta algumas coisas que a série original poderia aprender, primeiro e antes de mais nada, sobre inclusividade. Drag Race dos Estados Unidos tem uma história áspera quando o tema é inclusão. Todos sabemos disso. Porém, ela já deu alguns passos adiante, ao incluir no seu cast Drags como Sonique no especial de Natal e Gia Gunn em All Stars 4. Mas Thailand, apresentado por Art Arya e Pangina Heals, mostram uma maior aceitação de quem aceita dessa forma artística.

O programa ganhou as manchetes quando, em um especial de seleção de elenco, eles consideraram a participação de uma mulher cis para a segunda temporada. Apesar dela não ter conseguido participar do programa, Anang e Kandy Zyanide, duas mulheres trans, conseguiram. Elas seguiram os passos de Meannie Minaj, uma mulher trans que participou da primeira temporada. Tanto Anang e Zyanide conseguiram chegar no top 3 da segunda temporada.

Mas outro aspecto da franquia tailandesa que é refrescante é o foco no talento. Apesar de isso possivelmente ser o resultado do quão jovem o programa é, existe pouco uso de dispositivos de enredo só para a criação de uma narrativa; mudanças no programa aparentemente tem um efeito real na competição. Por exemplo, quando Arya decidiu, pela primeira vez no programa, trazer de volta duas drags eliminadas previamente de volta ao programa, um acontecimento que quase trás qualquer mudança na franquia dos Estados Unidos, ambas trouxeram uma nova chama para a competição – quase literalmente  já que uma colocou fogo no próprio vestido para fazer uma revelação. E ambas, tanto Zyanide e Kana Warrior, que foram escolhidas para voltar, terminaram no top 3.

Mas é mais do que somente isso: Nem Arya nem Heals estão inclinadas a cederem silenciosamente para más performances. Em diversas ocasiões, as drags tentaram enrolar os jurados na dublagem quando ficavam entre as duas piores. Arya não hesita em mandar as duas drags de volta pra casa, ou até mesmo forçar que elas recomecem a apresentação. E quando, repentinamente, Mocha Diva resolveu trazer queixas já passadas quando estava sendo eliminada, resultando na desqualificação de Miss Gimhauy, Heals não teve nenhum problema em apontar que ela estava se comportando como uma má perdedora. E é lógico, elas fizeram isso tudo com o amor e carinho que uma mãe drag que realmente se importa pelas suas filhas.

Mas um dos destaque de Drag Race Thailand – apesar de parecer algo pequeno – é o desafio final. Em ambas as temporadas do programa, as finalistas criam o seu próprio número, coordenando sua própria música, luzes, coreografia, figurinos e músicas. É um desafio de criação e execução de uma visão, assim como de comunicação de uma visão para o time que lhe foi designada para ajudá-las. Na primeira temporada, a finalista Année Maywong combinou o seu treinamento em dança estilo Ballroom com a música de Jennifer Lopez “Let’s Get Loud” em uma memorável performance.

Enquanto isso pode ser supérfluo, a realidade é que isso é como essas drag queens ganham a vida, ou esperam poder ganhar pelo menos. É marcante que em 11 temporadas de Drag Race, drag queens não conseguiram mostrar todo o seu potencial em algum momento da competição. Integrar isso no programa pode parecer fácil, essencialmente dando aos fãs uma amostra do que eles poderiam esperar da performance de uma das participantes dentro de uma tour.

Mas, talvez essa seja a diferença dos dois programas. Com o tempo, ficou claro que RuPaul’s Drag Race tem criado drag queens para Hollywood, ou para a elite da moda. O programa tem efetivamente se tornado em um ponto final que direciona as competidoras em um caminho onde possivelmente possam se tornar em uma representação do nome do programa. E apesar de admirável e um tipo válido de performance, para todos nós que queremos outro tipo de energia, sempre existirá Drag Race Thailand.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): ‘Drag Race’ Just Crowned Its First Trans Winner

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