Seriado “Falling for Angels” explora a história de homens asiáticos além do racismo da comunidade gay

Tradução do texto de Aaron Gettinger originalmente postado na Out.

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Abençoado com uma abundante arquitetura no estilo Art Deco e um excelente acesso ao trasporte público, a Koreatown é uma das vizinhas mais populosas de Los Angeles. Apesar de ter enfrentado os motins de 1992, “Com a influência de três gerações de imigrantes coreanos e latinos, as antes consideradas perigosas ruas se tornaram em um lar pitoresco e próspero de pontos badalados de culinária étnica cheios de um sendo de humor diverso” afirmou a New York Timestravel em 2015.

Esse é o palco do episódio Koreatown do seriado Falling for Angels, um seriado que explora a interseccionalidade do amor gay em Los Angeles.

Eu me apresso em dizer que a cena de abertura mostrando um encontro de aplicativo como “brutalmente honesta” porque não existem muitas representações dessa atividade para sermos honestos. Ela não é nem íntima nem glamourosa, mas é imediata, sensual e, inicialmente, relativamente anônima. Um dos parceiros não permite ser beijado. “Está tudo bem?” pergunta o passivo, observando a reação do ativo depois do orgasmo. Não: a camisinha rompeu. “Você não precisa se preocupar” o ativo diz. “Eu sou negativo”. Uma pausa e então ele complementa “O centro de emergência do Cedars-Sinai tem o PEP. Eu chamo um Uber pra você”. O ativo se oferece para acompanhar o passivo, que aparentemente não estava usando o PrEP. Ele se recusa e vai embora.

Tudo terminaria aí.

Exceto que Kevin (Interpretado por Ty Chen) esqueceu as suas chaves na casa de Gino (Dale Song). Eles se encontram em um bar de karaoke para entregar as chaves, e Gino convence Kevin, que acabou de sair do hospital e muito nervoso, a ficar para beber com ele. Acontece que Kevin acabou entrando sem querer na reunião mensal do “grupo de apoio para crianças coreana adotivas” que Gino participava, e ele estaria saindo de Los Angeles em seis horas para se encontrar com seus pais biológicos em Seoul. Kevin, de ascendência taiwanesa, mantém em segredo a sua inexperiência em relacionamentos entre asiáticos.

Esse é o ponto central do episódio. A busca de Gino na comunidade coreano dos Estados Unidos para se conectar com a sua identidade racial. O roteirista Steven J. Kung baseou esse episódio no tempo que ele passou caminhando pelas ruas da Koreatown com um amigo que era adotivo fazendo exatamente isso: “Ele jogava lacrosse. Ele cresceu em Boston. Quando ele veio para Los Angeles, ele sentiu que queria entrar em contato com a cultura coreana, e a maneira que ele conseguiu fazer isso foi indo para a Koreatown para começar”.

Kevin, por sua vez, foi criado em uma vizinhança completamente branca e, como resultado de ter sofrido bullying, minimizou a sua identidade racial. Ele porém ainda tinha contato com a sua cultura, ele falava mandarim, resultado de ter pais que o enviavam para a escola chinesa, e que visitavam Taiwan periodicamente. “Eu nunca tive isso”, diz Gino. “E começou a se tornar em um poço doloroso”.

Essa é a questão sobre como homens asiáticos gays vivem nos Estados Unidos. Gino não beija por medo de relacionamentos e não envia fotos de rosto, mas Kevin iria até ele se soubesse que o seu encontro era asiático? A relação olho-por-olho que homens fazem um com o outro é escrita e atuada perfeitamente. Existe muito a ser dito sobre o racismo de homens gays – quem entre nós nunca viu um perfil afirmando abertamente “Não curto afeminados, gordos ou orientais”? Apesar de Gino e Kevin viverem fora da sua herança cultural por motivos diferentes, essa é a realidade toda vez que um aplicativo é aberto.

Falling for Angels é um seriado sobre pessoas racializadas vivendo dentro de uma comunidade LGBT idealizada por brancos em uma cidade multi-étnica. A série é produzida em cooperação com a Pride Media, uma das detentoras da revista Out. As suas antologias de meia hora encoraja narrativas impressionistas, e os enredos não são nada novos. O que é novo e importanteé que os personagens são homens racializados queer vivendo situações que somente eles vivenciam – experiências que ao mesmo tempo machucam, trazem alegria, ou inspiram. Gino fala sobre amar a si mesmo quando olha nos olhos de seu namorado asiático – ele era alguém como ele. “Então, agora você sabe porque eu queria te beijar” responde Kevin.

“Uma das razões que realmente me interessaram nesse roteiro é porque ela coloca homens com ascendência asiática como atrativos – não somente para outras raças mas para si mesmos” disse o diretor Steven Liang.

Finalmente, esse episódio nos lembra do que realmente pode resultar de uma relação de uma noite apenas: Uma conexão genuína, porém breve. Um lembrete de que você não está sozinho. Um momento de cura.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Falling for Angels Explores Asian Men Leaving Gay Racism Behind

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