Nossas vidas, nossos direitos – Camboja LGBT

Tradução do texto de Say Tola originalmente postado no Khmer Times.

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Você já se sentiu excluído da sociedade ou até mesmo da sua família? Você já foi discriminado pelos seus colegas de classe por causa da sua identidade de gênero? Se você nunca sofreu isso, então você é privilegiado. Mas ao menos tente se colocar na posição daqueles que sofreram, ou talvez se ofereça para ouvi-los.

Isso é o que os participantes do “Nossas vidas, nossos direitos” se propuseram a fazer no prédio do The Mansion Heritage, no Camboja.

Era um dia quente, mas os membros e apoiadores da comunidade LGBT do Camboja que vieram de diferentes províncias se reuniram para celebrar e compartilhar as suas histórias pessoas e os desafios que eles enfrentam ao viverem em um mundo cis-hétero-centrado.

“Nossas vidas, nossos direitos”, organizado pela Rainbow Community Kampuchea-Rock, foi a maneira comunitária de manifestar o seu cometimento para unir membros LGBT e permitir que eles sejam reconhecidos por quem eles são e não pelo que a sociedade impôs.

Bandeiras do arco-íris foram penduradas em todos os lados da The Mansion Heritage, e fotógrafos que capturaram a comunidade LGBT do Camboja estavam expostos de um lado e desenhos de henna em uma mesa do outro lado. Vários casais homoafetivos estavam presentes sem medo de demonstrar o seu afeto, aparentemente inabaláveis pelo olhar de outras pessoas. Afinal, esse dia era deles.

O evento  principal começou com performances tradicionais e contemporâneas do grupo Medha Drum.

Keo Remy, diretor do Comitê da Human Rights Camboja, disse em seu discurso de abertura que as performances, a exibição de fotos e todas as atividades que os organizadores prepararam para o dia especial tinham como objetivo dar as pessoas LGBT uma plataforma para desfrutar e ser eles mesmos.

“Eu entendi claramente a proposta das atividades para o dia. Eu posso sentir o que vocês tem passado por todo esse tempo. Até agora, eu observei que o seu grupo está indo bem. Eu estou orgulhoso da sua força e por não trazer nada de negativo para a nossa sociedade” disse Remy.

E ele complementou, “E se mantenham forte e continuem a melhorar! Libertem todo os seus potenciais para fazer com a sua pessoa seja mais positica para esse país!”.

H. E. Remy também encorajou todos os pais do Camboja a reconhecerem os direitos de seus filhos assim como de todos no país.

“Além das necessidades básicas para viver, as pessoas precisam de romance e de relacionamentos. Apesar do governo ter fortemente apoiado o relacionamento homoafetivo, esse país somente florescerá se todos aceitarem os direitos de todas as pessoas”.

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Chhum Ratha, compartilhou que a Rainbow Community Kampuchea-Rock foi criada em 2009 por alguns casais homoafetivos. Hoje, a comunidade tem pelo menos 2000 membros que apoiam ativamente uns aos outros e todos os projetos voltados para a comunidade LGBT.

Mas mesmo com todas as melhorias visíveis, a Rainbow Community reconhece que o Camboja ainda está longe de aceitar e reconhecer completamente indivíduos LGBT.

“Nós temos grandes desafios como podermos casar, ter as nossas identidades reconhecidas e poder adotar crianças legalmente. Além disso, nós ainda somos discriminados pela nossa própria família, pela escola, locais de trabalho, e a sociedade como um todo. Eu acho que pessoas ainda não estão conscientes sobre os nossos direitos; por isso que tentamos cultivar o conhecimento através de vídeos e oficinas centradas em orientações sexuais e identidades de gênero”, enfatiza Ratha.

Bom Sokvin, um novo membro da Rainbow Community Kampuchea-Rock, compartilhou que ela estava extremamente isolada da sua família e amigos depois que se assumiu. Mas depois de entrar na comunidade, ela agora se sente mais aceita e amada. Fazer parte de um grupo, ela conta, fez com que ela descobrisse quem ela realmente é.

“Eu cresci com uma personalidade bastante masculina e minha mãe realmente me odiava por causa disso. Quando eu saí para estudar em Phnom Penh alguns anos atrás, ela me tirou da universidade e me obrigou a me casar com um rapaz quando eu comecei a cortar o meu cabelo mais curto. Eu sempre ficava pensando porque eu tinha que ser odiada se eu não estava fazendo nada de errado?”.

Ela conta ainda que, “Eu saí de casa e o amor deles por mim foi espedaçado. Eu não podia simplesmente fazer o que eles queriam; eu sabia que eu me sentia atraída por meninas. Não é uma escolha. Pessoas sempre me julgam por causa de como eu demonstro o meu amor. Eu acredito que não importa qual o seu gênero, amor e responsabilidade são as coisas que sempre deveríamos ter”.

Apesar dela estar tentando superar as barreiras sociais por sete anos até hoje, ela ainda pensa positivamente que um dia grupos LGBT irão ser tratados com igualdade. Para conseguir isso, ela pede que todas as pessoas LGBT façam coisas boas. Ela também pede que pais não discriminem os próprios filhos se eles escolherem seguir os seus próprios corações; porque independente de qual grupo eles escolherem estar, eles ainda são merecedores de amor e respeito.

O evento aconteceu durante o dia inteiro. Apresentações de Chapei, músicas da década de 60 e músicas pop atravessavam todo o espaço e todos tiveram um momento delicioso.

A Rainbow Community Kampuchea-Rock, que já tem 10 anos de atuação, espera abrir mais oportunidades para a comunidade LGBT exercer os seus direitos e ser reconhecida como parte cidadã do Camboja.

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Matéria original (Em inglês): Our lives, Our rights

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