Como esse casal gay de Hong Kong encontrou amor através da arte – e zumbis

Tradução do texto de Kylie Knott originalmente postado no South China Morning Post.

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Nascido na Croácia, Bruno Lovric, de 35 anos, é professor na Universidade da Cidade de Hong Kong no departamento de mídia e comunicação. Ele conheceu o artista Ernie Chang, de 28 anos, que gerencia a galeria de arte The Stallery em Wan Chai, através do aplicativo de encontros Tinder. Ambos compartilham uma paixão por filmes de horror e vídeo games.

Eles conversaram conosco sobre as suas vidas, gostos e o que eles pensam sobre o dia dos namorados. Apesar de não terem planos de se casarem, eles acreditam que os casais homoafetivos de Hong Kong deveriam ter o direito de se unirem.

Bruno: Nós nos conhecemos pelo Tinder há três anos atrás. Eu fui até a galeria dele e vi os seus trabalhos de arte e achei bastante despretensioso. Depois fomo para um bar perto da galeria dele e eu conheci os amigos dele e imediatamente nos demos bem. Eu pensei “Ele é um pacote completo”. As suas mãos eram bem doces, o que era fofo, porque eu pensei que ele estava nervoso mas eu descobri que elas são assim o tempo todo. Ele me contou todos os seus defeitos logo de cara, sem fachadas. Ele me disse que ele teve problemas com drogas quando mais jovem e eu fiquei muito atraído pela sua honestidade.

Ernie: Eu pensei em já colocar tudo pra fora. As pessoas tem medo dessas coisas, as partes honestas da sua vida.

Bruno: Antes de conhecer Ernest eu tinha comprado um viagem para Cingapura para o meu aniversário. Era uma ocasião que eu tinha que me sentir feliz, então eu sempre tentava escapar. Eu perguntei se Ernie gostaria de me acompanhar – Foi bem repentino, afinal a gente havia acabado de se conhecer – e ele aceitou. Eu fiquei encantado porque o pessoal de Hong Kong nunca tem tempo para nada, então quando alguém oferece tempo para você, é algo realmente especial.

Ernie: Nós balanceamos um ao outro, nós dois somos vulneráveis e fortes ao mesmo tempo. Eu amo como ele gosta da minha arte – e ele a entende. Eu incorporo tantas referências e ele entende todas elas. E ele compartilha da minha paixão por jogos e terror.

Bruno: Eu sou um grande fã de filmes de zumbis e eu nunca tinha encontrado alguém que amasse terror como o Ernest. Nós amamos ficar no sofá assistindo filmes de terror na Netflix. Eu sou mais intenso e sério mas ele me ajuda a ver a luz. Quando eu me sinto estressado ele me faz sentar, respirar e relaxar.

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Ernie: Quando eu era um adolescente sofrendo com a minha sexualidade, minha família pensou que eu estava sendo rebelde. Eu amo meus pais e hoje eles querem que eu seja feliz. Mas eles me viram muito infeliz, e eles sabem o quanto isso era ruim, então eles preferiram me apoiar do que eu ter que ser uma mentira e viver triste, e no fim, acabar me matando. Hoje eu convido o Bruno para todas as reuniões de família – eles realmente aceitam ele. Na verdade, eu acho que eles estão mais preocupados do Bruno não aceitar eles.

Bruno: A família do Ernest é como a minha segunda família. Eles são gentis comigo e me tratam como um filho… é muito doce isso.

Ernie: Nós tiramos férias em família para Taiwan e nós viajamos por toda a ilha.

Bruno: Nós pegamos uma van com a avó e os pais dele. Como uma viagem de carro. Existe uma barreira linguística entre eu e a avó dele mas ela é amável, carinhosa e carismática… ela está sempre sorrindo.

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Ernie: Minha avó ama o Bruno. Ela sempre se refere a ele como meu amigo. Eu já pedi para ela chamar ele de namorado mas ela prefere amigo.

Bruno: Eu tinha uma regra que nunca namoraria alguém mais do que três anos mais jovem que eu – eu era bastante rígido a respeito disso. Eu já tive experiências ruins com homens mais jovens no passado. Ernest tinha errado no seu perfil do Tinder e dito que tinha 30 anos. Quando eu descobri a verdade já era tarde demais – eu já estava apaixonado.

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Ernie: Nós moramos juntos mas não temos planos de nos casar. Mas como um direito humano básico, as pessoas deveriam ter o direito de se casarem, de ter pelo menos a opção. Leis moldam a percepção. Uma noite em Lan Kwai Fong eu achei que seria espancado porque eu beijei um homem na rua. Para muitos chineses de Hong Kong eu não acho que exista um lugar onde eu possa expressar a minha sexualidade abertamente. Em casa eles são expostos e a maioria não sente que exista uma rede de apoio na cidade. Não existe um balanço nas suas vidas, somente uma raiva presa dentro do armário, e isso é perigoso.

Bruno: Com a falta de leis que apoiem o casamento igualitário, isso faz com que você sinta que você não tenha valor. Nós não somos muito de dia dos namorados – é muita pressão que acaba atrapalhando a diversão. Eu me sinto amado quando o Ernest simplesmente gosta de algo que cozinhei. Eu sei que ele não gosta de lavar a louça, mas quando eu chego cansado do trabalho e ele lavou a louça, isso me deixa feliz e amado.

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