Policiais da Indonésia flagrados assediando mulheres trans

Tradução do texto de Andreas Harsono originalmente postado no Human Rights Watch.

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A polícia da província de Lampung, Indonésia, foram flagrados em um vídeo prendendo e humilhando três mulheres trans, do terceiro gênero indonésio conhecido como waria, em mais um incidente da violência sancionada pelo estado contra pessoas indonésias LGBT.

A polícia municipal conduziu uma batida anti-LGBT em uma praia de Labuhan Jukung, em Lampung na ilha de Sumatra e detiveram três warias: Robiansyah, Yogi Pranata e Julius. Os oficiais trouxeram elas para a delegacia local onde receberam “orientações islâmicas” e então foram lavadas com a mangueira de um carro de bombeiros. Os oficiais relataram através de uma mensagem por Whatsapp que essa foi uma forma de mandi wajib – uma lavagem ritual islâmica que é feita depois que alguém tem relações sexuais.

A Human Rights Watch documentou inúmeros casos de intimidação, humilhação e deter arbitrariamente pessoas LGBT desde que Aceh, a única província que oficialmente impõe a lei Sharia, começou a forçar o código criminal islâmico em outubro de 2015, que criminaliza a homossexualidade. A campanha anti-LGBT intensificou nacionalmente no começo de 2016 quando autoridades do governo fizeram declarações LGBTfóbicas. Agora, mais governos locais, como Java Ocidental, estão escrevendo projetos que criminalizam a homossexualidade.

No dia 31 de outubro de 2018, a polícia municipal de Sumatra Ocidental prendeu dez mulheres suspeitas de serem lésbicas depois que a polícia vasculhou o facebook e encontrou duas delas se beijando e se abraçando. Tais ações discriminatórias contra pessoas LGBT irão cada vez ficar pior se as autoridades não se pronunciar contra os policiais responsáveis.

O grupo Forum Waria em Jakarta estima que pelo menos 4500 warias migraram para Jakarta nos últimos três anos, algumas fugindo da crescente hostilidade contra elas nas províncias que nasceram. As migrantes normalmente não tem emprego, muitas abandonaram seus salões de beleza e outras pequenas empresas onde trabalhavam. Lugares seguros que aconselham sobre IST/HIV/AIDS e oferecem tratamento para pessoas LGBT que vivem com o HIV estão desaparecendo, aumentando preocupações entre profissionais da saúde a respeito do combate do aumento de infecções registradas na Indonésia entre homens que fazem sexo entre homens.

O presidente da Indonésia Joko Widodo, o ministro de relações internas Tjahjo Kumolo e governadores provinciais tem a responsabilidade de se pronunciar em apoio à comunidade LGBT e extinguir o “pânico moral” que existe por trás dessas violências e discriminações. Quando autoridades locais, como a polícia municipal de Lampungu, falha em proteger os direitos de minorias, os lideres da Indonésia devem intervir e puní-los.

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Matéria original (Em inglês): Indonesian Police Harass Transgender Women

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