Plástico fantástico: designers LGBT do Camboja encontram beleza no lixo

Tradução do texto de Prak Chan Thul originalmente postado no Channel NewsAsia.

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De um vestido inspirado nas plumas de um pavão feito de tampas de garrafas e sacos de cimento, até uma roupa de um tigre preto e laranja feito de sacos plásticos, um grupo de designers de moda LGBT do Camboja criaram beleza através do lixo para lutar contra a discriminação.

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Ataques violentos contra a comunidade LGBT são comuns na nação sudeste asiática, mesmo que o pensamentos sobre relacionamentos homoafetivos tenham melhorado nos últimos anos.

“Há cinco ou dez anos atrás, os cambojanos viam a comunidade LGBT como o lixo da sociedade”, disse Ith Sovannareach, fundador da La Chhouk Recycled & Creative Fashion. “As pessoas nos viam como estranhos inaturais”.

“Mas agora existe menos discriminação, já que temos mais visibilidade na televisão e nos jornais sobre as nossas capacidades”.

Ao fazer roupas para a passarela usando lixo coletado das ruas da capital cambojana, Sovannareach está tentando subverter o esteriótipo, junto com um time de designers LGBT.

Papelão, canos, sacos plásticos – até mesmo rolos de papel higiênico – encontraram espaço no design do grupo formado por estudantes da Universidade Real de Finas Artes de Phnom Penh.

“Nós usamos tudo, mas sacos de cimento e plástico são os melhores”, disse Sovannareach.

Muitas das roupas, e os exuberantes enfeites de cabeça, se inspiraram em roupas tradicionais khmer.

Companhias como a Coco-cola, e a cerveja Tiger da Heineken contrataram o time de Sovannareach para criar roupas dramáticas feitas do lixo de seus produtos, e em outro momento as Nações Unidas convidou o grupo para realizar um show de moda.

Ativista trans Kuy Thida, que apresentou uma pequena barraca durante o show promovendo direitos LGBT, disse que 6.000 casais homoafetivos vivem juntos no Camboja, que não reconhece as suas relações nem como união civil ou casamento.

Camboja foi palco de 100 ataques violentos de homofobia durante os primeiros quatro meses de 2015, afirmaram as Nações Unidas em um relatório.

Em 2007, o primeiro ministro Hun Sen disse que ele deserdou a sua filha adotiva porque ela estava em um relacionamento lésbico.

A desaprovação do governo desencoraja muitas pessoas LGBT de revelarem a sua identidade, e muitos dos designers de Sovannareach se recusaram a dar uma entrevista para a Reuters.

“Eles tem que fingir ser duas pessoas diferentes”, ele disse sobre os seus colegas. “Quando eles estão em casa, eles agem como os seus pais querem. Eles tem que fingir que são fortes”.

A família de Thida não aceita que ela seja uma mulher trans, diz a ativista.

“Eles ainda esperam que eu me case com alguém do sexo oposto, para que não os envergonhem”, ela adiciona.

“Algumas pessoas simplesmente nos olham como animais estranhos”.

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Matéria original (Em inglês): Plastic? Fantastic!: Cambodian LGBT fashion designers find beauty in trash

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