Comediante Peter Kim fala sobre Supremacia Branca

Tradução da fala de Peter Kim postado originalmente na PBS News Hours.

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Quando você ouve a frase “Supremacia Branca”, qual imagem vem na sua cabeça?

Talvez seja a de Adolf Hitler gritando em um microfone, talvez seja a de pessoas vestindo capuzes brancos marchando por aí com uma cruz em chamas.

Para mim, é bem menos dramático, e muito mais cotidiano. Então se me permitem, eu gostaria de oferecer uma versão atualizada de “Supremacia Branca”: É a premissa de que branco é o ideal, e que todos nós, conscientemente e inconscientemente, estamos trabalhando para alcançar a branquitude.

Por exemplo: Eu sou um ator, e enquanto eu estava sentado na sala de espera de uma agência de elenco com um colega que, por acaso, era branco, comentei que eu sempre era chamado para testes de papéis abertos para “todas as etnias” mas que claramente eram escritos para serem homens brancos. Como personagens chamados Vincent Daniels.

E ele me diz: “Então Peter, você é quase branco”.

Ok, vamos refletir sobre isso. Se você não hesitou, você deveria olhar para si mesmo por um segundo. Eu, um homem com ascendência asiática sendo “quase branco”, significa o quê? Que eu não negro ou latino? Ou qualquer cor de pele mais escura que branco?

Dizendo isso, ele assumiu que pessoas brancas são a raça padrão desse país, e que eu sou quase normal. E ele não era um ignorante racista, é uma pessoa liberal e criativa vivendo em Chicago.

Isso acontece comigo o tempo todo. Mesmo em lugares onde eu nunca achei que isso aconteceria.

Vejam, eu sou um coreano que também é gay, e quando eu finalmente me assumi e baixei o aplicativo de namoro Grindr (SPOILER: Ninguém quer namorar no Grindr) eu fiquei assustado com a quantidade de perfis dizendo “Não curto afeminados, gordos e orientais” e eu pensaria comigo: “Não está se referindo a mim. Porque de acordo com a minha mãe, eu não sou gordo, eu sou robusto”.

Eu tive a sorte de viajar e me apresentar por todos os Estados Unidos, e quando me perguntam “De onde você é?” e eu respondo Nova York, a maioria das pessoas brancas bem-intencionadas ficam chateadas e falam “Você sabe o que eu quis dizer, de onde você realmente é?”. Meu namorado, que é de Minnesota, cuja família tem raízes na Suécia, nunca tem que explicar de onde ele realmente é.

Então a minha definição de Supremacia Branca está emaranhada no tecido da nossa vida cotidiana. Está nas nossas escolas, nos nossos filmes, nas nossas televisões. Perceba, todos nós precisamos de seguro de carros, mas vocês provavelmente não vão ver alguém como eu aparecendo em um comercial de seguros. É óbvio para o estados-unidense padrão que é mais fácil vender seguros com uma lagartixa estrangeira do que com um fabuloso e robusto gaysian.

Vídeo original (Áudio em inglês, sem legendas)

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