Grupo religioso da Indonésia realiza batida em centro de apoio a pessoas vivendo com HIV

Tradução do texto de Rick Glauert originalmente postado no Gay Star News.

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O grupo de vigilantes Frente Defensora Islâmica (FPI) liderou uma batida em uma organização de apoio à pessoa que vive com HIV na Indonésia no dia 15 de Janeiro.

Policiais, militares e moradores locais se uniram para realizar a batida na Organização de Mudança Social da Indonésia (OPSI), de acordo com o site Coconuts.

OPSI oferece apoio e informações sobre HIV para pessoas LGBT e trabalhadores do sexo.

A repressão da população LGBT na Indonésia se intensificou com a aproximação das eleições que acontecerão em Abril.

A homossexualidade e a transsexualidade não é crime em boa parte da Indonésia. Mas o crescente fundamentalismo islâmico está resultando no aumento de opressões contra a comunidade LGBT.

Desde 2016, autoridades tem se usado de leis sobre blasfêmia, pornografia e incômodo público para prender indonésios LGBT.

E ainda, administrações locais tem introduzido novas legislações para poder atacar minorias sexuais.

O ativista LGBT Dede Oetomo contou para o Gay Star News que a batida em Pekanbaru foi um “grande obstáculo” para pessoas que buscam serviço de prevenção.

Na Indonésia, cerca de 25% das pessoas que vivem com o HIV são homens que fazem sexo com homens (HsH), ele conta.

“É preocupante porque pessoas que precisam de serviços relacionados ao HIV ficariam relutantes na hora de procurá-los. Isso significa uma diminuição do controle de contagios” ele completa.

“Atividade suspeita” e camisinhas

Autoridades de Pekanbaru, Sumatra, justificaram a batida afirmando que existiam “atividades suspeitas” acontecendo no local.

Um morador contou para o jornal The Republika que tinha visto homens vestindo saias curtas saindo do prédio.

Vídeos mostram oficiais da FPI apresentando camisinhas como evidências. Eles também compartilharam fotos de um quarto rosa com cortinas da Hello Kitty.

A OPSI é uma rede nacional que trabalha com o governo e outras organizações para a prevenção da trasmição do HIV e outras IST, de acordo com o seu website.

O diretor da OPSI, Ruli Ramadhani, contou para o jornal The Merdeka que a sede tinha todas as permissões necessárias dadas pelo governo local para a realização de atividades.

O diretor também reforçou que a organização oferecia informações sobre prevenção do HIV e de IST e não era uma organização essencialmente LGBT.

Ainda não é claro quais serão as próximas ações que serão adotadas pela FPI.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): ‘Islamic defenders’ raid HIV support center in Indonesia

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