Declaração de ativistas LGBT malaios: Silêncio e Censura perpetuam a Discriminação e o Ódio

Tradução do texto originalmente postado no Queer Lapis.

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Nós consideramos como bem vinda a reunião dos ministros Mujahid Rawa e Nisha Ayub no escritório de direção de projetos. A reunião foi crucial e um primeiro passo positivo em demonstrar a abertura do governo para o diálogo e para a criação de uma Malásia mais inclusiva e compassiva. Esse diálogo foi importante já que muitos malaios não tem consciência do que pessoas trans sofrem com os estigmas sociais, com a discriminação e com a violência.

A falta de canais abertos e de oportunidades para que pessoas LGBT sejam ouvidas é de fato o que perpetua a falta de compreensão da diversidade de orientações sexuais, identidades e expressões de gênero e de características sexuais. O estigma, discriminação, e violência vivenciadas por pessoas trans tem sido longamente documentados em diversos relatórios, incluindo o relatório da Human Rights Watch intitulado “Eu tenho medo de ser uma mulher”.

No entanto, nós desejamos que os ministros tivessem se reunido conosco antes de enviarem instruções para que os retratos de Nisha Ayub e Pang Khee Teik fossem removidos de uma exibição do Festival da Cidade de George. Se os ministros tivessem se reunido conosco antes, ele teria entendido que as intenções de Nisha Ayub e Pang Kheee Teik ao aceitarem serem fotografados para essa exibição, e não simplesmente de terem acusado eles de “promoverem ativismo LGBT”. Ele poderia ter evitado alguns esteriótipos ofensivos e declarações errôneas sobre ativistas LGBT que ele disse durante uma conferência de impressa logo depois dos acontecimentos.

A tentativa de definir e classificar ativistas LGBT é problemática e desnecessária. O governo tem o dever de respeitar e proteger os direitos humanos de todos, incluindo os seus defensores, e criar e apoiar espaços para a promoção, proteção e cumprimento dos direitos humanos.

Nisha Ayub é reconhecida como uma defensora dos direitos humanos não somente na Malásia, mas por todo o globo. Nisha é um ícone malaio dada a sua imensa contribuição para os direitos humanos. Nisha se tornou ativista depois de ter sofrido múltiplas formas de violência baseadas na sua identidade de gênero, incluindo prisões arbitrárias, detenções e prisões; Uso incorreto de pronomes e humilhação; comentários e ameaças de ódio, degradação e violência. Como ativista, ela também viveu múltiplas formas de apagamento e exclusão na história e narrativas da Malásia, como prova o ato de remoção do seu retrato de uma celebração da Malásia. Em meio da remoção do retrato e dos eventos que se seguiram, ela recebeu um volume crescente de mensagens de ódio e ameaças violentas.

Apesar da limitada jurisdição de Mujahid Rawa, a ordem de remoção do retrato também afetou diretamente Pang Khee Teik, um defensor dos direitos humanos e curador de arte. Assim como Nisha, Pang também recebeu centenas de comentários de ódio e ameaças de violência. Dessa maneira, nós também chamamos Mujahid Rawa para se encontrar com Pang, para que ele entenda o impacto das políticas do estado em todas as pessoas, independente da sua religião. Pang, em seu ativismo, tenta tornar visível a discriminação, violência e marginalização sofrida por pessoas LGBT. Por causa disso ele tem sido publicamente difamado, foi investigado pelo estado, perdeu o emprego, recebeu ameças, etc.

Comentários que incitam violência e medo pela segurança pessoal são inaceitáveis. No passado o governo estava silencioso contra os ataques à pessoas LGBT e em alguns casos até submeteram as vítimas a outros tipos de perseguição. Portanto, nós reconhecemos os esforços do ministro em se pronunciar contra a discriminação de pessoas trans.

Nós também reconhecemos as reações LGBTfóbicas do público contra Mujahid e suas declarações. O que sustenta a nossa visão de que qualquer pessoa, independente da sua identidade de gênero ou orientação sexual, pode ser vítima de discriminação transfóbica ou homofóbica devido a sua associação com pessoas LGBT.

Nós também encorajamos aos malaios que escutem pessoas LGBT, que nos deem uma oportunidade de contarmos a nossa versão da história, e que parem com o comentários de ódio, difamação e violência. Esses comentários tem impactado no bem estar e segurança não somente dos indivíduos em questão, mas de toda a população LGBT. Na realidade, eles também criam um ambiente que encoraja e negligencia o bullying, chantagens, violência física, psicológica e sexual, e outros crimes cometidos contra diversas pessoas LGBT. A estigma disseminado e a discriminação impedem que pessoas LGBT tenham acesso a serviços de saúde, justiça, e outros direitos fundamentais.O público não ouve sobre isso porque a comunidade LGBT tem sido mantida silenciosa e apagada. Além disso, aqueles que encaram ameaças não se sentem seguros em compartilhar nossas histórias.

Pessoas que insistem que a comunidade LGBT não é discriminada na Malásia torna tais suposições justamente porque nós não temos a permissão para falar sobre nossas experiências. Nós encorajamos que as pessoas aprendam sobre identidade de gênero e sexualidade, e nos deixem falar.

Nós acreditamos que a abertura e o diálogo podem ter efeitos transformadores. No espírito de abertura, cura e compaixão, nós pedimos que todos os ministros do governo se reúnam com grupos de direitos humanos e grupos LGBT. Juntos nós podemos promover uma Malásia mais gentil, mais compassiva e mais democrática.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): LGBT activists: Silence and censorship perpetuate discrimination and hate

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