Editora suspende a publicação da revista japonesa Shincho 45 depois das críticas feitas pela comunidade LGBT

Tradução do texto de Tomohiro Osaki originalmente postado no The Japan Times.

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A editora Shinchosha Publishing Co. anunciou que uma das suas revistas irá efetivamente suspensa depois de apresentar um artigo que o própria presidente da empresa afirmou que continha “um preconceito inaceitável” contra a comunidade LGBT.

Em uma declaração oficial, a Shinchosha disse que irá suspender a publicação da revista mensal Shincho 45, que foi lançada em 1985.

“É inegável que a nossa edição de artigos e seleção de colaborações tem se tornado superficial ao longo dos anos a medida que sofremos com a diminuição da circulação da revista e numerosas tentativas e erros”, afirmou a editora em sua declaração.

E por causa desse processo de verificação já comprometido, afirma a Shinchosha, que levou a publicação de um artigo definido pelo próprio presidente da editora Takanobu Sato como cheio de preconceito – e mostrando uma “falta de entendimento” – contra pessoas LGBT.

“Nós agradecemos e pedimos desculpas a todos os nossos leitores e todos os envolvidos pelo apoio e cooperação ao longo desses anos”, conta a companhia, adicionando que irá fazer uma revisão de todo o sistema editorial.

Essa decisão significa que a Shincho 45, apesar de tecnicamente estar suspensa, irá praticamente ser cancelada, afirmou o executivo de relações públicas da editora, Yukihito Ito.

A queda da Shincho 45 foi condenada por Mio Sugita, uma legisladora do atual partido governante, o Partido Liberal Democrata.

Sugita, autora do livro “Porque eu luto contra a esquerda” (Ainda inédito no Brasil), contribuiu com um polêmico artigo na edição de agosto do ano passado, categorizando a comunidade LGBT como “improdutiva” por não gerarem filhos.

Sua afirmação era de que o dinheiro dos impostos não deveriam ser gastos em políticas de apoio à casais homoafetivos porque, de acordo com ela, eles não são produtivos, e imediatamente recebeu críticas e centenas de pessoas protestaram pedindo a sua renúncia do cargo.

E em outra edição, a Shincho 45 piorou a situação ao lançar uma série de diversos artigos somando mais de 40 páginas defendendo as colocações de Sugita com o título “O que existe de errado no artigo de Mio Sugita?”.

Entre esses artigos o que mais recebeu críticas foi o trabalho do comentador conservador Eitaro Ogawa.

Nele, Ogawa afirma que a comunidade LGBT é uma “preferência sexual” e que era um conceito “absurdo” e comparável com “SMAG” – um termo criado por ele que significa “Sadismo”, “Masoquismo”, “Ass Fetish (Fetiche por Bundas)” e “Groper (Apalpadores)”.

Se a sociedade tem que proteger pessoas LGBT, afirma Ogawa, “Não deveria a nossa sociedade também proteger os direitos de apalpadores que não conseguem resistir a necessidade de assediar uma mulher assim que sentem o cheiro delas em um trem lotado?”.

“Se alguém reclamar que o conceito de SMAG é absurdo, que vão para o inferno. Para alguém tradicionalmente conservador como eu, o conceito de LGBT também soa tão absurdo quanto”, ele escreveu em seu artigo.

Ogawa, por sua vez, explicou em seu perfil do Facebook que a criação do termo “SMAG” foi um exemplo meramente hipotético de como o reconhecimento social “prematuro” dos direitos de minorias poderia “chegar em um ponto extremo de insanidade” e ele mesmo não defende assediadores dentro de trens.

Novas revoltas aconteceram depois da publicação da edição de outubro do ano passado.

Pouco tempo depois do lançamento ativistas picharam a placa da editora Shinchosha que dizia “Você leu?” para “Você leu esse discurso de ódio?”.

A discriminação de Sugita contra a comunidade LGBT também repercutiram em outros espaços.

O primeiro ministro Shinzo Abe, que foi re-eleito como presidente do partido, foi forçado a responder a uma enorme multidão nervosa sobre as falas de Sugita durante as suas campanhas para o terceiro termo.

Abe, falando durante um debate de televisão, afirmou que as críticas de Sugita contra casais homoafetivos “improdutivos” o feria pessoalmente porque ele mesmo não tem filhos e que ela deveria ter mais consciência das suas palavras como política.

Mas mesmo assim, ele se absteve no momento de pedir para ela desistir do seu lugar no congresso, afirmando que “ela ainda é muito jovem”.

Enquanto isso, na província de Wakayama, uma livraria tem chamado a atenção depois de anunciar que irá retirar de suas estantes todos os títulos publicados pela Shinchosha.

Essa retirada temporária “é um ato de protesto contra a propagação feita pela Shincho 45 de comentários ofensivos contra minorias sexuais”, declarou o proprietário da livraria Books Plug, Shota Shimada.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): ‘Outrageous prejudice’: Publisher suspends publication of Shincho 45 following furor in LGBT community

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