Depois de linchamento, ativistas LGBT da Armênia buscam justiça

Tradução do texto de Alex Cooper originalmente postado na NBC News.

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Nove indivíduos LGBTQ foram atacados por um grupo de mais de 30 pessoas no vilarejo armênio de Shurnukh, de acordo com a polícia e uma das vítimas. Duas das vítimas ficaram seriamente feridas e necessitaram ser hospitalizadas, e sete ficaram feridos.

Os agressores, que gritaram xingamentos homofóbicos enquanto espancavam e jogavam pedras nos nove amigos, foram liberados pela polícia depois de uma breve investigação. As vítimas e grupos internacionais de direitos humanos estão exigindo que os agressores sejam levados a julgamento.

“Nós precisamos matar ele”

Hayk Oprah Hakobyan, fundador do grupo de ativismo LGBT Rainbow Armenia Initiative, disse que ele convidou um grupo de amigos para ir na casa de sua família na fronteira Irã-Armenia para um final de semana. Porém, o grupo recebeu uma visita inesperada. Dois homens do vilarejo chegaram na casa de Hakobyan e demandaram falar com ele.

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“Quando eu me recusei falar com eles, um dos homens pularam a cerca e entraram dentro da casa e na varanda”, se lembra Hakobyan.

O homem queria que Hakobyan saísse da casa com ele, mas ele se recusou. Os amigos dele chamaram a polícia e a família de Hakobyan ajudaram a intervir. Sua família, porém, finalmente disseram para ele e os amigos saírem de casa, onde eles encontraram um grupo cada vez maior de pessoas.

“Naquele momento já existiam 15 homens”, contou Hakobyan. “Eles se reuniram, e falaram com o meu pai e meu irmão dizendo que eles tinham que fazer a gente sair”.

Eles acusavam Hakobyan e seus amigos estavam distribuindo propaganda gay e se comportando de maneira selvagem. Logo depois os nove saíram da casa de Hakobyan, e foram logo atacados pela multidão.

“Nós estávamos de pé do lado de fora e um deles simplesmente atacou um dos meus amigos, e então o horror começou”, Hakobyan se lembra. “Pessoas estavam lançando pedras. Estavam socando e acertando a cabeça de meus amigos”.

A multidão furiosa, de acordo com Hakobyan, começaram a gritar xingamentos homofóbicos contra ele e seus amigos e começaram a dizer que eles precisavam abandonar o vilarejo. A multidão, que eventualmente chegou a mais de 30 pessoas, perseguiu os nove amigos até as fronteiras do vilarejo.

“Eles gritavam – ‘Nós precisamos pegar o Hayk. Nós precisamos matar ele'”, disse Hakobyan, tendo nota de que eles sabiam o nome dele porque Hayk originalmente era residente desse vilarejo.

A multidão parou quando Hakobyan e seus amigos alcançaram os limites do vilarejo e se encontraram com a polícia. Os policiais, porém, não ajudaram muito.

“Eles nos disseram que tínhamos que voltar para o vilarejo e esclarecer a situação. E nós pensamos, ‘vocês estão loucos?”, se lembra Hakobyan.

Quando eles chegaram na delegacia de polícia em Goris, a cidade mais próxima, Hakobyan disse que um policial disse que ele e seus amigos para “deixarem de ser emotivos” e disse para eles “contarem a história verdadeira”.

Em resposta ao incidente, a polícia da Armênia lançou uma declaração curta apoiando as declarações das vítimas do violento ataque. E pelo menos um dos agressores publicamente admitiu ter atacado o grupo de amigos por eles serem gays.

“Nós saímos nas ruas para lutar pela nossa honra”, o homem contou para um jornal local. “Se eles vierem de novo, nós iremos atacar eles de novo”.

“Nós queremos justiça”

Na semana seguinte aos ataques e a liberação dos agressores, as vítimas e diversas organizações de direitos humanos entraram em contato com a polícia exigindo uma investigação mais profunda dos incidentes.

“Nós queremos justiça. Nós queremos essas pessoas na cadeia”, disse Hakobyan, acrescentando que sua vida mudou completamente depois do ataque. “Eu não tenho mais uma casa. Eu virei um alvo”.

Ele teme que se aqueles que atacaram ele e seus amigos ficarem livres, isso possa se tornar um perigoso e violento precedente para a história do país.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Following mob attack, LGBTQ activists in Armenia ‘want justice’

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