Autora chinesa pega 10 anos de prisão por escrever um romance erótico gay

Texto de Daniel Villarreal originalmente postado no Queerty.

Tradução: Kemi do Outra Coluna.

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China condenou uma autora a dez anos e meio de prisão por escrever um romane eróticos gays.

O South China Morning Post relatou que a autora, conhecida como Tianyi na internet, foi condenada por “produzir e vender materiais pornográficos” depois de seu romance Occupy, publicado em 2017, ter vendido mais de 7.000 exemplares online.

O romance, que conta um caso entre um professor e um estudante, supostamente contém “descrições explícitas de cenas de sexo homossexual entre homens”.

Porém, comentários na internet já apontaram que a sentença de Tianyi é mais longa do que de alguns casos de homicídio e de estupro de menores. Especialistas jurídicos dizem que a lei de 1998 que condenou Tianyi foi criada antes da venda de livros pela internet e superestima o dano social causado por pornografia.

De qualquer forma, essa condenação é apenas o último exemplo do desconforto da China em relação à homossexualidade.

Apesar da homossexualidade na China não ser criminalizada, o governo chinês já perseguiu e encarcerou ativistas LGBTQ. O país permite a terapia de conversão ex-gay, utiliza livros didáticos homofóbicos nas escolas e baniu conteúdo LGBTQ da televisão e da internet, comparando-os a incesto e abuso sexual.

Isso não surpreende, considerando que apenas 21% da população chinesa apoia a homossexualidade. Entre 22% e 95% de pessoas gays chinesas não saem do armário (e muitas acabam se casando com mulheres heterossexuais). Tudo isso esconde a existência de cidadãos chineses gays do conhecimento público.

Diferente da homofobia americana, a homofobia chinesa não se dá por conta de valores religiosos conservadores. Mas na realidade, ela vem da expectativa social de que filhos devem se casar e ter seus próprios filhos para ajudar a cuidar dos avós idosos.

Da mesma maneira, a oposição do governo a direitos LGBTQ parte mais de sua hostilidade em relação a quaisquer protestos sociais e organizações não governamentais do que uma aversão específica à homossexualidade. A abordagem do governo quanto a questões e grupos LGBTQ é resumida em “não encoraje, não desencoraje, não promova”.

Mas há sinais de mudança na sociedade chinesa. Em 2017, cidadãos chineses conseguiram reverter a proposta de uma rede social de banir postagens LGBTQ. Alguns ativistas LGBTQ peticionaram para que o governo permita casamentos do mesmo sexo/gênero e um professor, que fora despedido por ser gay, contestou sua demissão na justiça.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): This author got 10 years in prison for writing a steamy gay romance novel

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