Escola chinesa é processada por demitir professor por ser gay

Tradução do texto de Christian Shepherd originalmente postado no The Japan Times.

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Um professor de ensino infantil gay processou uma escola depois de ser demitido, em um caso que o advogado do caso chamou de um marco para os casos de proteção de grupos minoritários da China.

O professor foi demitido da cidade costeira de Qingdao depois de ter postado um comentário em uma rede social sobre um evento LGBT que ele iria participar.

O professor, que preferiu não se identificar, disse que o diretor da escola afirmou que os pais não iriam gostar de ter um professor gay ensinando os seus filhos.

Isso fez com que ele ficasse bastante apreensivo que existam pais que prefiram criar os filhos em uma sociedade que não respeita a diversidade sexual.

“Eu espero que eu possa usar esse caso para impulsionar a sociedade chinesa a ser mais balanceada e receptiva”, ele conta.

Depois de décadas governada pelo Partido Comunista da China, pessoas LGBT estão hoje enfrentando as burocracias, as incertezas legais e as normas sociais para afirmarem o seu lugar na sociedade.

Requisitaram que o professor se afastasse sem recompensação ou pagamento dos 10% de participação na escola, afirma o seu advogado, Tang Xiangqian.

“A principal razão de nós termos entrado com esse processo não é só pela causa trabalhista, mas também para tornar a comunidade LGBT mais visível na sociedade. Para que as pessoas percebam o quão fácil pessoas LGBT podem se tornar vítimas de discriminação”, disse Tang.

As leis trabalhistas da China não tem proteções específicas para pessoas LGBT, mas existem textos contra a discriminação que podem ser utilizados por grupos minoritários para protegerem os seus direitos, afirma Tang.

Tang disse que, até onde ele tem conhecimento, esse é o primeiro caso de um professor gay processando uma escola por ter sido demitido por causa da sua orientação sexual.

O professor espera que a corte ordene que ele seja re-contratado e receba uma compensação pela sua perda financeira, de acordo com a cópia do processo enviada para o Reuters.

O nome da escola e da corte não foram divulgados. Tang se recusou em divulgar os nomes porque isso poderia afetar no caso.

Ativistas chineses organizaram protestos pressionando que maiores proteções para a comunidade LGBT – e o casamento igualitário – sejam incluídos no código civil que será aprovado em 2020.

Apesar de existir um cenário LGBT florescente em muitas das maiores cidades chinesas e da crescente conscientização sobre o tema, pessoas LGBT tem lutado contra os valores conservadores confucianos e a censura do governo.

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Matéria original (Em inglês): China school sued by fired gay teacher in potential landmark case

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