Recapitulando: Como foi o Dia Contra a LGBTfobia de 2018 ao redor da Ásia

Tradução de uma matéria originalmente postada no ILGA Asia.

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CAMBOJA

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Durante a Semana do Orgulho e as celebrações do Dia Internacional contra a LGBTfobia no Camboja, casais homoafetivos decidiram declarar o seu compromisso e unir os seus votos em público, na esperança de aumentar uma visibilidade dos direitos LGBT. Os casais se utilizaram de uma versão de parceria civil conhecida como Declaração de Relacionamento Familiar (DoFR), que tem ganhado popularidade por todo país.

A organização LGBT, Rainbow Community Kampuchea-rock (RoCK) criou o DoFR. Em 2014, a RoCK se tornou a primeira organização não-governamental LGBT a ser registrada no Camboja. A RoCK tem ajudado a introduzir o DoFR em 50 comunidades em 15 províncias do Camboja.

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CHINA

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No dia 13 de Maio, uma organização estudantil do Colégio Afiliado à Universidade de Pequim (Também conhecida como BDFZ) anunciou no WeChat da Verge Magazine que estaria vendendo camisas decoradas com arco-íris como um esforço para promover os direitos LGBT durante o Dia Internacional contra a LGBTfobia.

Organizações estudantis de diversas outras escolas públicas também iniciaram projetos semelhantes ao de BDFZ. Organizadores disseram que 10% do valor iria ser doado para o centro LGBT de Beijing, uma organização de caridade que oferece clínica de saúde mental, testes de HIV, e serviços legais para pessoas LGBT da região de Beijing.

Também inspirados pela campanha de BDFZ, o Colégio Experimental Afiliado à Universidade Normal de Beijing (também conhecida como SDSZ) lançou uma venda de camisetas sem fins lucrativos. “Sem mais homofobia” era o nome da campanha. Eles chegaram a receber 200 pré-encomendas em apenas um dia.

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Autoridades de diversas regiões da China impediram a realização de eventos LGBT durante o Dia Internacional contra a LGBTfobia.

Um membro de uma organização LGBT de Guangzhou afirma que o evento que estava agendado para o dia 17 de maio para o Dia Internacional contra a LGBTfobia, foi considerado como uma “reunião ilegal” e foi cancelado pela segurança pública local e pelo escritório de cultura.

Um evento agendado para o mesmo dia por uma organização LGBT de Shanghai também foi cancelado, e o departamento de cultura responsável ainda reuniu informações dos participantes para garantir que “nenhum deles realizem alguma coisa” no dia 17.

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HONG KONG

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Community Business, uma grande organização sem fins lucrativos em prol do desenvolvimento de práticas empresariais responsáveis e inclusivas na Ásia, anunciou os ganhadores dos Prêmios Inclusão LGBT+ de 2018 em Hong Kong em comemoração ao Dia Internacional contra a LGBTfobia.

A premiação foi a primeira celebração anual que reconhece e celebra a inclusão LGBT em Hong Kong. A Community Business adicionou diversas categorias em 2018, aumentando o total para 12. As indicações foram avaliadas com base no alcance de suas estratégias, proatividade, impacto e sustentabilidade para então reconhecer figuras públicas que usaram as suas influências para promover a inclusão de pessoas LGBT em Hong Kong.

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ÍNDIA

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No Dia Internacional contra a LGBTfobia, A Comissão Internacional de Juristas clamaram pelo fim da criminalização da comunidade LGBT e pelo respeito, proteção e total adoção dos direitos humanos negados as pessoas LGBT. A Comissão observou que leis discriminatórias ao redor do Sul Asiático têm construído normas de gênero e sexo que intimidam e até ameaçam violentamente pessoas LGBT. Em uma declaração, os juristas chamam os estados do Sul Asiático para a revogação de leis discriminatórias.

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O governo do estado de Kerala irá adotar políticas para aumentar a visibilidade de minorias sexuais. O ministro do turismo afirmou isso durante a celebração do aniversário do Queerythym, que trabalha pelo bem estar da comunidade LGBT da região, e também durante os eventos do Dia Internacional contra a LGBTfobia.

Kerala tem sido um modelo para o resto do país em diversos aspectos, e poderá liderar no caminho de empoderamento de minorias sexuais. O estado recentemente testemunhou o casamento entre um homem trans e uma mulher trans. As autoridades da Missão de Alfabetização do Estado de Kerala tem criado contínuos programas de educação para pessoas trans. O governo recomendou a criação de cooperativas sociais para pessoas trans e também realizou esforços para criar novas oportunidades de empregos focando em pessoas trans.

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Celebridades da televisão indiana se pronunciaram em solidariedade à comunidade LGBT que sofre todo o tipo de discriminação e ódio ao redor do mundo.

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Durante o Dia Internacional contra a LGBTfobia, um evento aconteceu em Baudh Shodh Sansthan. Organizado por Sayed Raza e Jerrmayah, o ponto alto do evento foi um desfile de moda onde membros da comunidade LGBT caminharam na passarela mostrando diversos trabalhos de designers, além de uma programação cultural onde diversas peças e performances foram realizadas.

O evento começou com a recepção do público e dos convidados, seguido de uma breve introdução sobre eles e apresentando as suas contribuições individuais para o Dia Internacional contra a LGBTfobia. Em seguida foi realizada uma performance de dança Ardhnarshwar por Ritwik, um ativista LGBT. Depois, um painel de discussão com Deepak Kabir, Payal e Sadaf Jafer cativou a atenção do público. Diversos filmes de Darvesh foram exibidos durante o evento.

O evento terminou com uma apresentação de ballet Kathak, seguido pelo desfile de membros da comunidade LGBT.

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IRÃ

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O número de instituições e clínicas psicológicas  privadas e semi-governamentais que realizam a conversão da homossexualidade tem aumentado significantemente no último ano, apesar das autoridades, em uma reunião das Nações Unidas em março de 2017, negarem a promoção de terapias reparativas psicológicas ou psiquiátricas com o fim de mudar a orientação sexual ou identidade de gênero de um indivíduo.

As descobertas da 6Rang (Rede de Lésbicas e Pessoas Trans Iranianas), publicadas no Dia Internacional contra a LGBTfobia, mostram o uso de terapias reparativas como terapias de choque e toque não consensual em genitálias, prescrição de medicamentos psicoativos, hipinose, masturbação coerciva vendo figuras de pessoas do sexo oposto, etc, tem aumentado. De acordo com as leis internacionais de direitos humanos, o uso de medicamentos ou métodos médicos para mudar a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa constitui tortura.

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LÍBANO

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Diversos eventos que celebram o orgulho aconteceram no Líbano através de diversas ONGs e iniciativas pessoais. Eventos do Orgulho aconteceram ao longo do mês de maio por diversas ONGs que trabalham com gênero e sexualidade como a MOSAI, Helen, AFE, Lebmash e Legal Agenda.

Outra iniciativa com o nome de “Parada do Orgulho” que providenciaria uma plataforma para diversos eventos iria acontecer entre os dias 12 e 20 de maio dentro da programação do Dia Internacional contra a LGBTfobia de 2018. Porém, o diretor da Semana do Orgulho foi preso no dia 14. Ele foi interrogado pela acusação de “encorajar a devassidão e ofender a decência pública”.

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MYANMAR

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No dia 17 de maio, organizações sem fins lucrativos que trabalham na proteção e promoção dos direitos LGBT em Myanmar promoveram o Dia Internacional contra a LGBTfobia. Em Yangon, organizações LGBT como a Colors Rainbow, &Proud e Kings N Queens se encontraram no centro Hledan em Yangon para conscientizar sobre os direitos da comunidade LGBT. O evento apresentou paineis de discussão com o autor Moe Thet Han e pais de crianças LGBT assim como um show de talento de drags. Embaixadas de Myanmar também marcaram o dia hasteando a bandeira do arco-íris.

Na cidade de Mandalay, organizações LGBT locais como a C.A.N-Myanmar, Bright Pride Myamar, TRY (CBO) juntamente com outras organizações de prevenção ao HIV se reuniram no Hotel Marvel para o Dia Internacional contra a LGBTfobia onde pessoas de destaque no movimento de Myanmar foram reconhecidas e honradas pelo então fundado “Comitê de Nomeação para o Prêmio LGBTIQA de Myanmar”.

Eventos semelhantes aconteceram nos municípios de Pakokku, Shwe-Bo, Pathein e Taunggyi.

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NEPAL

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Pessoas trans do Nepal participaram do concurso Miss Pink Beauty em Kathmandu no dia 17 de maio para marcar o Dia Internacional contra a LGBTfobia de 2018.

O concurso começou em 2004 para promover práticas de sexo seguro. Através dos anos, o evento cresceu e torno-se uma oportunidade para pessoas LGBT mostrarem os seus talentos, e mostrar para a sociedade que eles são iguais e que merecem os mesmos direitos. O concurso inspirou já diversas pessoas, principalmente mulheres trans do Nepal.

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A Blue Diamond Society Nepal organizou e se envolveu em diversos eventos durante o Dia Internacional contra a LGBTfobia. Incluindo uma apresentação de teatro intitulado “Jinudo Akash” – a história de uma mulher trans muito conhecida no meio artístico; “Miss Ping 2018” – uma competição de talento para mulheres trans; e a Cerimônia de Hasteamento da bandeira do arco-íris no escritório das nações unidas em Kathmandu.

Além disso, empresas de turismo do Nepal organizaram eventos de canoagem para pessoas LGBT em demonstração de sua aliança e solidariedade. Eles estão dedicados para o emprego de oportunidades iguais para pessoas LGBT nos campos de guias de trilhas, canoagem e caiaque. No futuro, as agências pretende se envolver na indústria de hotéis e de restaurantes. Eles irão treinar candidatos para as atividades escolhidas preparando-os para que consigam retirar licenças de trabalho. Eles concordaram em compartilhar 15% do total de transações com a BDS como maneira de demonstrar a sua responsabilidade social corporativa.

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PAQUISTÃO

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No dia oito de maio, a Assembléia Nacional do Paquistão aprovou o Ato de Proteção dos Direitos de Pessoas Trans, tornando-se um marco para os direitos de pessoas trans paquistanesas. A lei proposta permite que pessoas trans possam ter o seu gênero reconhecido e possam se registrar em instituições do governo como trans. Esse ato também oferece direitos básicos e proíbe a discriminação em instituições educacionais, empresas, comércios, serviços de saúde, ao usar transporte público e na compra, venda ou aluguel de imóveis.

Como parte das celebrações do Dia Internacional contra a LGBTfobia, Naz Pakisan organizou um jantar para celebrar a aprovação do ato. O evento recebeu membros da comunidade LGBT e aliados, ativistas trans, organizações feministas e outros, marcando o dia como um importante passo para o movimento trans paquistanês, e sinalizando o potencial para o surgimento de uma nova era de aceitação e empoderamento das comunidades queer.

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Sub Rang & Humraz se uniram com jovens ativistas, pessoas LGBT, e outros membros da sociedade para celebrar o Dia Internacional contra a LGBTfobia, um marco importante para nos lembrar que questões acerca a orientação sexual e identidade de gênero são importantes para o desenvolvimento sustentável. Isso importa porque é sobre lutar contra a discriminação e promoção da inclusão social.

A programação proposta incluiu a apresentação de documentários, animações protagonizadas por pessoas trans, compartilhamento de histórias e uma seção aberta de perguntas e respostas. A discussão concluiu que nós nunca tivemos uma única característica para nos identificarmos, ou que outros nos identificam. Nós temos múltiplas identidades pelas quais a sociedade nos reconhece, assim como nós mesmo nos identificamos – nossa raça, nosso gênero, nossa etnicidade, nossa orientação sexual e identidade de gênero, e muito mais.

E é nesse momento que o tema do Dia Internacional contra a LGBTfobia de 2018 entrou: a nossa marginalização nos mostra que precisamos apoiar uns aos outros – através da criação de poderosas alianças.

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TAILÂNDIA

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No Dia Internacional contra a LGBTfobia, a página do Partido Democrático compartilhou uma foto da bandeira do arco-íris com os dizeres: O Partido Democrático, sendo parte da sociedade tailandesa, está comprometido em promover direitos e oportunidades iguais para todas as pessoas da Tailândia.

“Mesmo que a nossa sociedade esteja se tornando mais aberta (para a diversidade de gênero e orientações sexuais), o direito de duas pessoas do mesmo sexo que desejam morar juntos e formar uma família ainda não é reconhecido. Eu não tenho nenhum problema em aprovar uma lei, e estou pronto para promovê-la”, disse Abhisit Bejjajiva, líder do Partido Democrático.

“Pessoas da Tailândia são muito tolerantes para a diversidade sexual. É hora de rever as leis que restringem direitos fundamentais de igualdade para todos. Hoje é o momento de terminar o ódio contra casais do mesmo sexo. Eu apoio essa ideia”, disse Korn Chatikavanij, presidente do Partido Democrático.

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A Rainbow Sky Association da Tailândia organizou em Chonburi um evento no dia 17 de maio em celebração ao Dia Internacional contra a LGBTfobia.

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O Museu Siam abriu uma exibição intitulada “Iluminação de Gênero”, para destacar a diversidade de gênero e temas relacionados – desde a história, estilo de vida, papéis de gênero, lutas e aceitação, assim como banheiros unisex e o casamento igualitário dentro do contexto da sociedade tailandesa.

No dia da abertura, painéis de discussão, oficinas e performances de membros da comunidade LGBT e de organizações parceiras foram realizadas junto com a exibição.

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TAIWAN

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No dia 17 de maio, a Coalizão pelo Casamento Igualitário de Taiwan se reuniu no Legislativo de Yuan para falar sobre a sua iniciativa “Dez mil vezes que suas palavras me feriram”. A camapanha coleta a história de pessoas LGBT que enfrentam stigmas e preconceito das suas famílias e da sociedade. A iniciativa durou dois dias e teve cem respostas.

Existe uma impressão comum de que a sociedade taiwanesa tem mudado dramaticamente nos últimos 20 anos a respeito do tratamento de questões de gênero e diversidade sexual. O movimento LGBT tem florescido, e pessoas LGBT tem ganhado mais espaço na sociedade. Porém, essa campanha mostrou as opressões ainda existentes através de diálogos entre familiares. Grupos religiosos tem ganhado muito apoio para criar campanhas contra pessoas LGBT e aprofundando estigmas que existem na comunidade.

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VIETNÃ

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Hanoi realizou o seu encontro anual BUBU Town – a terra da liberdade, tolerância e igualdade – no dia 20 de maio. BUBU significa Be Unique, Be U (Seja único, seja você), enviando a mensagem que todos são livres para se expressar, de ser quem realmente são. A edição desse ano, BUBU Foreverland, é um lembrete para todos os membros da comunidade LGBT e aliados de que não existe uma fada madrinha para te salvar das suas situações, e que não existe nenhum vilão que pode impedir você de ser quem você realmente é. O evento encoraja pessoas LGBT a se defender, e serem os heróis de suas próprias histórias.

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As Nações Unidas mostrou o seu apoio a comunidade LGBT no Vietnã em sua declaração do dia 17 de maio para o Dia Internacional contra a LGBTfobia.

Em suas declarações, as Nações Unidas saúda os esforços do Vietnã em assegurar os direitos de pessoas LGBT, observando que o Orgulho Vietnamita tem sido celebrado desde 2012, a proibição sobre o casamento homoafetivo foi revogado em 2014, e em 2015 foram criadas bases legais para que a alteração legal de acordo com a identidade de gênero fosse possível.

As Nações Unidas também congratulou o engajamento do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça com a comunidade LGBT através de consultas públicas e uma nova lei de reconhecimento legal de gênero.

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Links relacionados:

Matéri original (Em inglês): Recap of the International Day Against Homophobia, Transphobia, and Biphobia 2018 around Asia

“Sair do Armário” não é tão fácil quando você é uma pessoa racializada

Índia: Descolonizando o legado homofóbico do império britânico

Vidas em conflito: Ser muçulmano e LGBT no extremo sul da Tailândia

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