Cozinheira consegue emprego em uma estatal paquistanesa e se torna a primeira mulher trans a conquistar esse espaço

Tradução do texto de Sofia Lotto Persio originalmente postado no Pink News.

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O Programa de Apoio de Renda de Benazir, um programa federal de redução da pobreza e distribuição de renda, anunciou em uma carta datada do dia 26 de Setembro que a nova contratada irá trabalhar na cede de Islamabad como uma cozinheira da cafeteria.

“É inacreditável que eu consegui um emprego em uma estatal e agora eu poderei ganhar dinheiro com todo o respeito e dignidade” disse a nova contratada, conhecida como Nomi, para o jornal paquistanês The Express Tribune.

Nomi conta que cozinhar é uma de suas paixões. Ela não tem nenhuma formação, mas aprendeu a cozinhar com a sua mãe. Ela se sentiu validada pela oferta de emprego já que sempre diziam que ela nunca conseguiria ganhar a vida através de um emprego fixo.

“Minha contratação é uma resposta para todas as pessoas, especialmente vizinhos e parentes, que acreditavam que uma pessoa como eu só conseguiria ganhar dinheiro através de métodos ilegais”, ela conta.

“Eu espero agora que pessoas tenham orgulho de mim ao invés de vergonha” ela conta.

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Ativista paquistanesa trans posa para uma foto durante uma manifestação em Karachi em Novembro de 2017 (Foto: Asif Hassn)

A comunidade trans do Paquistão ainda é alvo de discriminação social e vítimas de violência no país – onde a homossexualidade ainda é criminalizada – e tem conseguido só recentemente ser legalmente reconhecida, com uma legislação aprovada em fevereiro que reconhece o gênero de pessoas trans sem necessitar de comprovação de um painel de médicos e reconhecendo a mesma proteção à dignidade e segurança como os outros cidadãos.

O contratante de Nomi, Naveed Akbar, o diretor geral da transferência de rendas da BISP, contou para o The Express Tribune que o departamento está procurando contratar mais pessoas trans e promete ter uma política de tolerância zero em caso de assédio contra elas.

Nomi se uniu a uma força de indivíduos trans do Paquistão, como a jornalista Marvia Malik, que teve a sua primeira aparição no canal de notícias de Kohenoor em março.

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Nessa foto retirada em março de 2018, Marvia Malik, a primeira âncora trans do Paquistão posa minutos antes da sua primeira aparição na televisão (Foto: Arif Ali)

Malik, que também andou em passarelas como modelo, disse que ela queria trabalhar como jornalista para poder empoderar a comunidade trans. “Mas não existia nada que podiamos fazer; nós estudamos, temos diplomas, mas nenhuma oportunidade, nenhum encorajamento. É isso que eu quero mudar”.

Esse ano também houveram cinco candidatas trans concorrendo nas eleições de Julho – seguindo os passos de Sanam Fakir, que foi a primeira candidata trans a concorrer uma eleição do Paquistão em 2013.

Infelizmente, nenhuma das cinco candidatas conseguiu vencer e ocupar um dos acentos e outros candidatos a favor dos direitos trans não conseguiram ganhar tantos votos.

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