Taxas de HIV entre homens gays na Indonésia aumenta cinco vezes

Tradução do texto de David Lipson originalmente postado no ABC News.

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A prevalência do HIV entre homens gays da Indonésia teve um aumento de 5% em 2007, para 25% em 2015, apesar do governo fazer incursões contra o vírus na sociedade.

“Isso trará muitos danos para a Indonésia” afirmou Andreas Harsono da Human Rights Watch.

“Isso traz um atraso de 20 ou 30 anos na Indonésia, de volta para os anos 80 quando o vírus do HIV e a AIDS ainda eram algo novo”.

O relatório da Human Rights Watch culpa o recente “pânico moral” que se instaurou contra a comunidade LGBT, o que forçou que pessoas vulneráveis voltassem para as sombras, efetivamente dificultando o alcanço da saúde pública e dos esforços de educação sobre sexo seguro.

Ser gay ainda é rotulado como uma “doença mental”

Em 2017, mais de 300 pessoas LGBT foram presas durante ataques “ilegais” pela polícia e de grupos islâmicos, o maior número até agora.

Alguns desses presos foram expostos nus na frente da mídia. Camisinhas foram usadas como “provas”, desencorajando o seu uso.

No ano passado na província de Aceh, dois homens foram espancados publicamente 83 vezes depois de serem pegos tendo relações sexuais.

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“Rangga”, 32 anos, vive com HIV desde 2013. (Foto: ABC News)

A associação nacional de médicos declarou que ser gay ou trans é uma “doença mental”.

Uma enquete de 2016 indicou que 26% dos indonésios não gostam de pessoas LGBT, tornando-os o grupo mais discriminado no país, seguido de comunistas e judeus.

“Uma das razões que as pessoas nos discrimina é porque elas pensam que somos doentes. Eles pensam que nós somos amaldiçoados”, disse o assistente comunitário Dimas Alphareza.

Ele conta que ficou mais difícil alcançar pessoas vulneráveis dessa comunidade.

“Eles tem medo de serem espancados”, conta ele.

“Por exemplo, nós marcamos encontros através das redes sociais, marcamos horário e lugar, mas quando nós chegamos eles não aparecem”.

Alphareza dirige uma clínica móvel, onde pessoas podem realizar testes de HIV sem nenhum tipo de questionamento e afirma que houve um aumento dramático no número de infecções desde o ano passado.

“Das 20 pessoas que foram testadas, nove foram diagnosticadas como infectadas com o vírus do HIV”, ele contou.

Preocupantes atitudes a respeito do sexo seguro

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“Bintang” diz que ele não recebeu uma educação sexual apropriado quando crescia (Foto: ABC News)

“Bintang” descobriu que tinha HIV em 2015, quando tinha apenas 20 anos.

Ele culpa o internato islâmico que ele frequentou porque os seus pais achavam que ele era muito “mole e feminino”.

“Nós nunca estudamos sobre HIV, diferente de escolas estaduais onde eles conversavam sobre o tema com especialistas de universidade… eu estava longe de qualquer tio de educação sexual”, ele conta.

“Rangga”, 32 anos, vive com o HIV desde 2013.

Hoje ele trabalha como assistente social, ele conta atitudes alarmantes sobre sexo seguro dentro da comunidade gay.

“Eles ficam dizendo que ‘não é tão bom com camisinhas'”, ele conta

“Mas eles tem informações sobre os perigos de não usar camisinhas e consequentemente acabam se contaminando com o HIV”.

No começo do ano, a Austrália anunciou que enviaria 1,3 milhões de dólares para a luta contra a AIDS na Indonésia, Camboja, Laos e Papua Nova Guiné.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): HIV rates among gay men in Indonesia have increased five-fold, Human Rights Watch says

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