11 pessoas são presas durante a Marcha do Orgulho de Istambul

Tradução do texto de Bethan McKernan originalmente postado no The Independent.

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Membros da comunidade gay de Istambul enfrentaram gás lacrimogênio e balas de borracha durante a quarta Marcha Anual do Orgulho, mesmo depois da sua proibição pelas autoridades turcas.

Aproximadamente 1000 pessoas se reuniram na Praça de Taksim no centro da cidade na tarde de domingo, dançando e exibindo a bandeira do arco-íris como parte dos eventos sobre direitos LGBT realizados durante a semana.

A marcha planejava sair pela cidade, porém, foi novamente a permissão foi negada pelo governo de Istambul. Quando militantes tentaram acessar a Avenida Istiklal, foram impedidos pela presença de policiais.

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Hakan, 20 anos,  é um estudante universitário de medicina, e depois de descobrir o crossdressing atualmente está em um processo de autodefinição da sua identidade sexual, se identificando como um homem gay ou uma pessoa de gênero queer. O seu lugar especial é a Praça Macka, na parte central de Istambul (Turquia), onde ele costumava ter encontros durante a noite, depois das festas que aconteciam na região da rua Istiklal e a Praça Taksim. O parque ainda é uma das poucas localidades onde casais héteros e gays se encontram de noite para sexo casual.
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Celik, 41anos, é um ativista, membro do Concelho da Cidade de Beyoglu e um funcionário do departamento de igualdade social da cidade de Sisli. Ele escolheu ser fotografado no Parque de Gezi, no coração de Istambul, onde grande protestos aconteceram na primavera de 2013. Foi nessa época, quando ele era ainda um gerente de uma companhia internacional, que ele percebeu que chegava a hora de mudar: ele decidiu sair do seu emprego e começou a se envolver com política e direitos humanos. Hoje, Celik está trabalhando com refugiados LGBTI+, e direitos LGBTI+, em colaboração com o Party Popular Republicano, a principal partido da oposição na Turquia.
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Remi (nome falso), 22, foi recentemente afastado do seu serviço nas forças armadas por ser gay e soropositivo, e recebeu o chamado “Papel Rosa” (um documento certificando que o seu afastamento foi por causa da sua sexualidade).  Ele escolheu esconder o seu rosto por motivos de segurança. Remi escolheu a rua de Mis como seu lugar especial: “É uma rua famosa cheia de bares, próxima da praça Taksim, onde a maioria deles são amigáveis para gays”.
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Seyhan, 37, atriz de teatro e artista performática. Como mulher trans tanto a sua vida profissional como pessoal são complicadas por causa de uma grande transfobia social. Como artista, no entanto, isso ajudou ela de diversas maneiras, e anos de trabalho em diversos palcos ajudaram ela a ser mais confiante. Invés de ter a sua foto retirada em um lugar relacionado a alguma memória, ela escolheu ser fotografada em uma rua aleatória de Istambul, porque para ela, qualquer espaço público é importate: ser visível, poder andar por qualquer rua da cidade de maneira livre, sem nenhum problema, é a chave para qualquer outro direito.
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Avdil, 20, originalmente de Diyarbakır é um estudante de língua e cultura árabe, ativista do HEVI LGBT, uma ONG sediada em Istambul que apoia especialmente curdos LGBT. O seu lugar especial são os jardins desse café próximo da praça Taksim, onde ele encontrou o amor há um ano atrás.  Quando a sua família descobriu que ele era gay houve uma grande briga entre eles, mas a situação foi melhorando gradualmente e quando a história de amor de Avdil terminou, depois de alguns meses, ele pode conversar com a sua mãe sobre os seus sentimentos e os problemas que ele teve com o seu ex-namorado. Apesar da separação, Avdill e seu primeiro amor ainda são bons amigos. 
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Emre, 35, é um designer de interior. Ele decidiu ser fotografado no parque Gezi, olhando para os prédios da praça Taksim por causa da sua importância simbólica. Para ele e muitos outros, os protestos de Gezi foram um momento chave na história do movimento LGBTQ da cidade de Istambul, onde diferentes pessoas do movimento liberal e membros da comunidade LGBTQ puderam se reunir e encontraram a energia para organizar, protestar e lutar pelos seus direitos.
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Gokhan, 34, é um editor de vídeo para uma companhia de mídia de Istambul. O seu lugar especial são essas pedras no porto de Kadikoy, no lado asiático da cidade, que termina em torres desabitadas de radar. Alguns anos atrás, Gokhan estava conversando através de um app de encontros, e eles resolveram se encontrar, repentinamente e no meio da noite nesse lugar. O relacionamento não funcionou entre eles, mas a vista desse lugar e as memórias daquela noite ficaram presas na sua mente. Gokhan ainda vai até lá, de tempos em tempos, senta-se nas pedras e pensa naquela noite, enquanto vê o sol se por atrás das torres douradas.
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Cagla, 27, é a filha de Zuleyha, uma ativista dos direitos LGBT. O seu lugar especial é o literal da área de Bakirkoy, próximo de onde ela mora. Ela decidiu ter o seu retrato retirado aqui, junto de sua mãe, porque elas tiveram uma discussão importante nesse lugar: Zuleyha precisou buscar ajuda por causa de um colapso nervoso, já que na época não aceitava que Cagla era uma mulher trans. Depois de uma tarde no hospital, a caminho de casa, elas pararam nesse local, e Zuleyha disse para Cagla que, mesmo sendo difícil, mesmo que levasse tempo, ela não iria desistir dela, porque elas são família. Hoje Zuleyha faz parte do LISTAG, um grupo de apoio que ajuda pais a entenderem e aceitarem seus filhos LGBT.

Onze pessoas foram presas durante as manifestações.

Uma declaração na página dos organizadores no facebook disse que os advogados do grupo estão em contato com pelo menos cinco dos presos, e esperam que eles sejam liberados logo.

Esse conflito marca o quarto ano consecutivo que a marcha do orgulho foi cancelada pelas autoridades da cidade declarando que não tem a capacidade de garantir a segurança do evento.

Esse ano, organizadores afirmaram que o governador de Istambul também disse que as marchas do Orgulho são “inapropriadas”. O escritório do governador não publicou nenhuma declaração oficial sobre o assunto.

As celebrações do Orgulho de Istambul – realizadas desde 2003 – são as maiores de qualquer país com maioria muçulmana.

Apesar da homossexualidade não ser criminalizada na Turquia, pessoas LGBT+ são frequentemente abusadas e assediadas.

Na capital de Ankara, a exibição do filme Orgulho e Esperança (Pride) de 2014 também foi cancelado pelas autoridades locais com o mesmo argumento de “segurança”.

Ativistas estão atualmente lutando contra a proibição de eventos LGBT + em Ankara que foi aprovada no ano passado.

A liberdade civil tem sido vista sob ameaça na Turquia desde a tentativa de um golpe militar em 2016 e o subsequente estado de emergência.

De acordo com as Nações Unidas, mais de 160 mil pessoas foram presas e 50 mil ainda aguardam julgamento.

Depois da sua re-eleição em junho, Recep Tayyip Erdoğan, o presidente turco, e a sua aliança de governadores concordaram em não estender o estado de emergência depois que o período de três meses expirar.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Istanbul Pride: Eleven arrested as march goes ahead despite official ban

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