Como um muçulmano marrom e descendente de imigrantes paquistaneses se revelou uma estrela de ‘Queer Eye’

Texto de Lauren Sarner originalmente postado no New York Post.

Tradução de Nassim Golshan.

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O designer de moda Tan France, uma das estrelas da nova versão do reality show ‘Queer Eye’, inicialmente pensava que não era a melhor pessoa para atuar na televisão, mas passa longe disso.

Gay, muçulmano filho de imigrantes paquistaneses, nascido na Inglaterra, é casado com um caubói mórmon. Tan realiza na TV a transformação através de sua área de trabalho dando aconselhamentos para construir um estilo pessoal ao em vez de ser prisioneiro da moda.

“Esse trabalho foi oferecido a mim e eu disse, ‘vocês estão loucos – eu vou arruinar o show!”, diz France, 34. “Eles disseram, ‘Não, nós sabemos montar um elenco. Até onde sabemos, nunca houve antes um gay, muçulmano, filho de imigrantes em uma plataforma global’…. isso me convenceu a entrar – aquelas pessoas iriam encontrar a versão de uma pessoa que nunca haviam visto antes”.

“Queer Eye” à princípio era um reality show chamado “Queer Eye for the Straight Guy” (Queer Eye para o cara hétero), exibido nos Estados Unidos pela emissora Bravo de 2003 a 2006. Cada episódio trazia cinco homens gays, chamados “The Fab Five” (Os cinco “Mara”) que transformavam o estilo de vida de um cara hétero no que tange moda, cultura, comes e bebes, design interior e autocuidado corporal. A primeira versão do show trouxe a cultura gay para o grande cenário dos EUA. A nova versão da Netflix, com os novos Fab Five- Tan France, Karamo Brown, Antoni Porowski, Jonathan Van Ness, and Bobby Berk — aborda questões mais amplas acerca de tolerância e aceitação, abordando questões de raça, religião e o que significa ser um homem. Essa abordagem nova está atraindo os fãs.

“Eu consegui 55.000 novos seguidores no Instagram em uma semana”, diz France. “Recebi pelo menos 8000 mensagens diretas de pessoas do mundo todo- Do Oriente Médio, da África, da Ásia dizendo ‘Você não tem ideia do que fez por nós’. Eu certamente represento uma comunidade que frequentemente trava lutas reais para ser a si mesma”.

Nascido na Inglaterra, de pais paquistaneses, France mora atualmente em Salt Lake City com o marido, com quem está há oito anos, Rob France, um mórmon nascido em Wyoming. Os dois se encontraram num site de paquera e embora pareçam à princípio bem diferentes um do outro, France diz que a religiosidade foi na verdade do que os aproximou.

“Foi mais fácil sair com alguém com quem tenho semelhanças. Eu não bebo, eu não fumo”, diz France, citando características que a fé de cada um partilha. “Nós colocamos em práticas algumas partes das nossas religiões, não tudo. Praticamos o que funciona para nós.”

A religião de France é mencionada em certo ponto do show, tanto em cenas exibidas como em não exibidas. Ele e o cliente do primeiro episódio, Tom, têm uma troca interessante e significativa para France que acabou não indo ao ar.

“Estávamos conversando e ele disso algo depreciativo sobre muçulmanos”, diz France. “Então falei, ‘Deixe-me lhe contar, você está sentado com um muçulmano pelas últimas duas horas em uma viagem de carro’, Tom perguntou, ‘Você é um terrorista?’ Ele não queria ser depreciativo desse maneira,  apenas nunca teve contato com pessoas da mesma origem que a minha. Levou um bom tempo para lhe explicar.”

No último dia de filmagem, Tom deu a France uma rosa amarela que simboliza a amizade. “Ele disse, ‘O que eu disse não saiu com a intenção de ser cruel. Eu apenas não sabia que tipo de pergunta fazer a você. Quero que saiba que você é meu amigo e que sempre será bem-vindo em minha casa”, diz France. “Essas experiências realmente fizeram com que o show se tornasse muito importante para mim”.

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Ele teve um outro momento significativo gravando o segundo episódio que apresenta um estadounidense de origem indiana chamado Neal.

 

“Eu nunca vi antes um indiano e um paquistanês juntos na TV”, diz France. “Houve uma grande guerra na década de 50 em que nossos países foram separados. Filmes com personagens indianos e paquistaneses apaixonados são proibidos no Oriente Médio. Eu e Neal conversando abertamente em um show global é algo inacreditável.

Embora France estivesse à princípio hesitante sobre aparecer nos holofotes, ele se acostumou com eles nas viagens filmadas em Queer Eye. Chegou a encontrar Jon Bom Jovi e teve uma surpresa.

Tan diz: “Eu não planejava essa vida, mas ter Jon Bom Jovi me parando para dizer, ‘Tan, posso tirar uma foto com você?’ superou minhas expectativas.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): How a Muslim immigrant became the breakout ‘Queer Eye’ star

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