Homens cambojanos revivem dança tradicional originalmente para mulheres

Texto de Carl Samson originalmente postado no Next Shark.

Tradução de Gush.

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Prumsodun Ok, um coreógrafo estados-unidense de ascendência cambojana, está por trás desta tentativa de ressuscitar o Balé Real de Camboja, uma dança antiga que surgiu no período Angkor, de acordo com o pesquisador japonês Hideo Sasagawa.

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Estátua fazendo a dança Angkoriana, século X

Era uma performance habitual para os convidados do palácio real antes e durante o período quando o Camboja era um protetorado francês. Dançarinos, usando trajes excessivamente bordados, utilizavam movimentos estilizados e gestos para contar histórias.

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Ok, cujos pais fugiram do Camboja durante o Khmer Vermelho, nasceu e foi criado na Califórnia. Ele treinou com a coreógrafa renomada Sophiline Cheam Shapiro, que fundou a Academia de Artes Khmer em Long Beach em 2002.

Em 2015, ele viajou para o Camboja e fundou a Prumsodun Ok & Natyarasa, uma companhia que treina jovens locais nessa antiga dança, antes predominantemente realizada por mulheres.

 

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Hoje, o grupo de dança transformou oito dançarinos amadores em performistas profissionais.

Falando com o Channel NewsAsia, Ok se lembrou dos primeiros dias:

“Eu olhei para eles e disse ‘Oh, eles parecem uma companhia de dança agora’ e ‘Oh. A primeira companhia de dança gay do Camboja acabou de ser criado na minha sala.’ Era algo completamente acidental.”

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Essa antiga dança tradicionalmente usa música tocada pelo pinpeat, uma orquestra que toca música cerimonial para a corte real e os templos do Camboja. Que tipicamente consiste de tambores, gongos, oboés e xilofones.

Mas o grupo de dança de Ok está colocando um toque moderno na arte; os jovens dançarinos, por exemplo, dançam ao som de “Lay Me Down” de Sam Smith.

 

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Um dos dançarinos é Sokhon Tes, 24 anos, que treinou dança clássica Khmer por cinco anos, no entanto, ele foi capaz de mergulhar mais profundamente no trabalho sob a liderança de Ok.

“Nossos ossos dos ombros são largos” ele disse. “nós também temos grandes músculos nos nossos braços e em nossas panturrilhas e coxas. Então não podemos nos curvar como as mulheres.”

“Nossos corpos podem ser diferentes das mulheres mas nossos corações são o mesmo.”

 

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Hoje, o grupo de dança revolucionário está ganhando elogios pela sua inovação artística. Para ele, Ok está determinado a fazer com que a nova geração se identifique com a dança mais facilmente.

“Eu não estou interessado em imitar o passado” ele disse. “Eu estou interessado em fazer com que a dança tenha um significado para nós hoje e para o futuro. Eu quero achar um jeito de ser local em caráter mas ser global em significância.”

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Ele afirmou que o objetivo da companhia é promover uma sociedade mais inclusiva, contando para o Voice of America em uma entrevista anterior:

“O que eu estou fazendo é tirar de nossas tradições e usar essas tradições de maneira que as pessoas nunca poderiam imaginar para criar um Camboja mais inclusivo, piedoso e justo.”

 

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Cambodian Men Are Reviving an Ancient Dance Originally For Women — With A Twist

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