Mulheres e indivíduos LGBT: vítimas invisíveis de desastres

Tradução da matéria de Zoe Tabary originalmente postado no Reuters.

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Especialistas afirmaram que a falta de dados sobre o impacto de desastres na vida de mulheres, meninas e lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans (LGBT) estão os excluindo dos esforços de apoio e danificando as suas habilidades de recuperação do choque.

Cecilia Aipira, uma concelheira sobre redução de riscos em desastres no Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, afirma que mulheres e meninas são as mais afetadas pelos desastres, “mas o que falta são evidências claras de como elas foram afetadas”.

“Como resultado elas se mantêm invisibilizadas no planejamento de programas de desenvolvimento”, ela disse no lançamento do Centro de Gênero e Disastres da Universidade de Londres no dia 8 de Março.

De acordo com Mami Mizutori, a nova chefe da Secretaria de Redução de Risco de Desastres das Nações Unidas, “desastres não afetam as pessoas de maneira igualitária”.

“Em muitas partes do mundo mais mulheres morreram em desastres do que homens, como consequência do alto nível de pobreza e outras formas de discriminação”, ela disse.

Cerca de 90 por cento dos que morreram no ciclone de 1991 em Banglades – um dos mais mortais que se teve registro – foram mulheres, enquanto que 77 porcento das vítimas na Indonésia durante a Tsunami de 2004 foram mulheres e crianças, de acordo com relatórios das Nações Unidas.

Mulheres e meninas são comumente vítimas de abuso sexual e violência doméstica depois de desastres naturais ou conflitos, apontou um painel de pesquisadores e ativistas durante o evento.

Mas são as manifestações diárias de violência – incluindo violência doméstica e assédios – que mais dificulta nas suas habilidades de recuperação de desastres, disse Virginie Le Mason, uma pesquisadora associada do Instituto de Desenvolvimento estrangeira.

Ela adiciona que pesquisas no Chad do programa de Construção de Resistência e Adaptação à Climas Extremos e Desastres, fundada pelo governo britânico, mostram que a discriminação e violência contra mulheres limita o acesso a recursos financeiros e de saúde durante momentos de crise.

Sunil Pant, um ativista nepalês e ex-político, disse que indivíduos LGBT também sofrem mais com os desastres já que comumente não recebem apoio porque “não formam o modelo tradicional de família de marido e mulher”.

“Por exemplo, eu presenciei autoridades nepalesas recusando a certificação da casa de duas pessoas trans que havia sido destruída no terremoto de 2015 e que precisava ser reconstruída”, ele disse ao público.

Esforços para reduzir os riscos de desastres deveriam focar pessoas LGBT, disse Pant.

“Pessoas LGBT em países propensos a desastres como Nepal, Índia e Haiti tem nenhuma informação sobre catástrofes. Eles nunca participam de treinamentos de terremotos e não tem nenhuma ideia de quem contatar em casos de emergência” ele adiciona.

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Links relacionados:

Matéria original (Em inglês): Women, LGBT people ‘invisible’ victims of disasters: experts

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