A cantora cantonesa Denise Ho foi barrada de se apresentar na Malásia “devido ao seu apoio à comunidade LGBT”

Tradução da matéria de Ernest Kao originalmente postada no South China Morning Post.

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A cantora de pop de Hong Kong e ativista pró-democracia Denise Ho Wan-sze anunciou no dia 15 de fevereiro que o concerto que ela iria realizar na Malásia em Abril foi barrado pelas autoridades locais por causa do apoio dela à comunidade LGBT.

Em seu facebook, Ho pede desculpas aos seus fãs e revela que as autoridades malaias negaram o seu pedido de realizar um evento no país.

Ela afirma que membros da equipe foram avisados pelo telefone na semana anterior que  os pedidos não seriam aprovados “porque [Ho] é uma ativista que apoia a comunidade LGBT”. E eles receberam a carta oficial de rejeição na semana do dia 15.

Porém a carta somente afirmava que o pedido foi negado por causa de “um número de problemas que precisam ser abordados se a artista vier ao país realizar a sua apresentação”.

“Meus queridos amigos da Malásia, eu sinto muito” escreveu Ho. “O mundo não está tão avançado como nós imaginamos; até onde eu sei. Mas, eu estaria mentindo se e dissesse que não estou desapontada em ser rejeitada por causa da minha identidade”.

A Agência Central da Malásia para o Pedido de Filmagem e Performance de Artistas Estrangeiros  que se encontra sob o Ministério de Comunicação e Multimídia não ofereceu nenhuma resposta.

Salleh Said Kuruak, o Ministro de Comunicação e Multimídia da Malásia, afirmou para a Fundação Thomson Reuters de que todas as performances realizadas no paós tem que estar de acordo com “as leis e valores locais”, mas não especificou as razões pelas quais Ho foi rejeitada.

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A homossexualidade é criminalizada na Malásia e, sob as leis contra a sodomia da era colonial, acusados podem ser condenados a até 20 anos de prisão.

“Não poder realizar o meu concerto não é um grande problema. Mas, outra vez essas proibições mostram a nós, que vivemos sob uma liberdade relativa, que a civilização que acreditamos ser natural e correta na realidade não é nada natural”

Ho, que anunciou publicamente ser lésbica em 2012, tinha planejado passar por Kuala Lumpur, capital do país de maioria muçulmana no dia 14 de Abril. Outras paradas pela Ásia incluem Singapura e Taiwan.

Uma representante de Ho disse que a cantora não realizou nenhum concerto na Malásia desde 2006. Apesar da preocupação da equipe dessa possível rejeição, eles decidiram prosseguir com o pedido porque Ho tem uma grande comunidade de fãs malaios.

Ela complementa dizendo que a equipe está realizando o reembolso dos ingressos, que haviam sido comprados com antecedência, e que os shows em Singapura e Taiwan não foram afetados. Suas performances nos Estados Unidos e no Canadá para Maio ainda estão sendo planejadas.

Ho prometeu continuar lutando pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans.

A cantora, empenhada defensora do movimento democrata de Hong Kong, também não tem grande aceitação do governo Chinês.

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A controvérsia surgiu em junho de 2016 depois que a empresa de cosméticos Lancome anunciou que estava cancelando um evento promocional em Hong Kong onde uma performance de Ho estava agendada por causa das visões políticas dela.

Esse conflito aconteceu um dia depois do jornal de Beijing Global Times ter escrito um artigo no Weibo condenando a Lancome por “convidar Ho – uma ativista pela independência de Hong Kong e Tibet – a promover os seus produtos em Hong Kong”.

Lancome afirmou posteriormente que Ho não é a porta voz da empresa e que o show foi cancelada devido “possíveis medidas de segurança”.

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Links relacionados:

Matéria Original (Em inglês): Hong Kong Canto-pop star Denise Ho barred from playing in Malaysia ‘because of her support for LGBT people

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