Onde nós estamos? A representatividade LGBT+ na televisão durante a temporada 2017-2018

Fundada no ano de 1985, a GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation – Aliança de Gays e Lésbicas contra a Difamação) tem como um de seus objetivos registrar e analisar a representatividade LGBT+ na mídia. Desde o ano de 1997 (referente à temporada de 1996-97), são publicados relatórios observando não só onde e como as diversas sexualidades e identidades de gênero que formam a comunidade LGBT+ são representadas na TV aberta, na TV a cabo e nas plataformas de Streaming, mas também refletindo sobre o posicionamento de personagens LGBT+ no elenco e quais os gêneros de séries são mais inclusivos (e quais não são).

No relatório de 2018 (referente às temporadas de 2017-2018) foram analisadas todas as séries cujas temporadas foram ou irão ser televisionadas entre o dia 1 de Junho de 2017 e 31 de Maio de 2018. Para essa análise somente foram contabilizados personagens centrais ou recorrentes, já que aparições esporádicas e isoladas não podem oferecer uma visão completa da experiência LGBT+. Personagens que aparecem em mais de uma série, como Malcolm Merlyn (Interpretado po John Barrowman) que aparece nas quatro séries do Universo DC da emissora The CW, foram contabilizados como apenas uma aparição.

Desde 2016, a GLAAD incluiu em sua análise serviços de streaming (Amazon, Hulu e Netflix), contando não só as suas séries originais, mas também séries estrangeiras cujos direitos de exclusividade de distribuição nos Estados Unidos foi adquirida por esses serviços.

Ao total foram contabilizados 301 personagens LGBT+ na televisão aberta dos Estados Unidos, da televisão a cabo e de canais de streaming. Um leve aumento em comparação com os 250 personagens LGBT+ contabilizados na temporada de 2016-2017.

Representatividade na Televisão Aberta

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Oliver Hampton (Interpretado por Conrad Ricamora) em How to get away with a murder da NBC

Para a análise de televisão aberta, a GLAAD selecionou 115 séries roteirizadas que foram ao ar nos canais ABC, CBS, The CW, FOX e NBC. Dos 901 personagens regulares e recorrentes, 58 são LGBT+, totalizando um percentual de 6,4%. Esse foi um aumento de 1,5% em comparação com os 4,8% (43 de 895 personagens) da contagem do ano passado. A grande maioria da representação são de homens gays (47% – 40 personagens) seguido de lésbicas (24% – 21 personagens) e bissexuais (26% – 22 personagens). Pessoas trans ainda são extremamente sub-representadas alcançando somente 5% (4 personagens) do total de personagens LGBT+.

Em um recorte racial, ainda permanece uma maioria de personagens LGBT+ são brancos (62% – 53 personagens), seguido de personagens negros (20% – 17 personagens). Latinos (9% – 8 personagens), asiáticos (4% – 3 personagens) e pessoas multi-raciais (4% – 3 personagens) ainda se mantém como os grupos mais sub-representados.

Representatividade na Televisão a Cabo

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Adena El Amin (Interpretada por Nikohl Boosheri) em The Bold Type  da Freeform

Já na transmissão a cabo foram contabilizados 173 personagens LGBT+ (103 regulares e 70 recorrentes) um aumento de 31 personagens em comparação com a temporada do ano 2016-2017. Assim como na televisão aberta, a maior parte dos personagens são gays (42% – 72 personagens). O segundo grupo mais representado são bissexuais (28% – 48 personagens), seguido de lésbicas (27% – 47 personagens). Pela primeira vez o relatório registrou a presença de um personagem assexual: Raphael Santiago (Interpretado por David Castro) da série Shadowhunters da Freeform (Distribuída no Brasil pela Netflix). Foram também registradas sete personagens trans: 3 mulheres trans, 2 homens trans e 2 pessoas não binárias.

Já a disparidade racial é ainda maior na televisão a cabo. 110 personagens totalizando 64% do total de personagens LGBT+ são brancos. Negros (10% – 18 personagens), Latinos (9% – 16 personagens) e asiáticos (4% – 6 personagens) somam somente 23% do total. Os outros 12% são formados de personagens multi-raciais e outras raças.

Representatividade nos canais de Streaming

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Soso (Interpretada por Kimiko Glenn) em Orange is the new black da Netflix

Por final, foram contabilizados 70 personagens LGBT+ nos canais de streaming, cinco a mais que no ano passado. Diferentemente da televisão aberta e a cabo, o grupo mais representado nos canais de streaming foram as lésbicas, com 25 personagens totalizando 36% do total. Em seguida temos bissexuais (33% – 23 – personagens), gays (24% – 17 personagens) e trans héteros (6% – 4 personagens). Todd, da série Bojack Horseman foi o primeiro personagem assexual a ser contabilizado no relatório do ano passado e novamente nesse ano. As redes de streaming também tem o maior número de personagens trans em papéis centrais e recorrentes, com 6 personagens (5 mulheres trans e 1 personagem não binário).

Infelizmente, as redes de streaming são as que menos tem representatividade racial. 54 personagens LGBT+, totalizando 77% do total, são brancos. Das minorias raciais, Latinos formam o maior grupo com 7 personagens (10%) seguido de negros com 5 personagens (7%) e asiáticos com 4 personagens (6%).

Resultados e observações para a próxima temporada

Apesar do grande aumento de personagens LGBT+ que tivemos na televisão durante a temporada de 2017-2018, é preciso notar que muitas emissoras anunciaram a temporada final de alguns seriados e a retirada de personagens LGBT+ nas próximas temporadas devido cortes de gastos. Também é importante observar que houve um aumento de personagens LGBT+ em seriados de super-heróis, um gênero que tinha pouca ou nenhuma abertura para a diversidade sexual, onde eram reservados somente os papéis de vilões para as pessoas LGBT+.

Outra grande preocupação que precisa ser observada é a representatividade de outras minorias que interseccionam a comunidade LGBt+, como mulheres, pessoas trans (binárias e não binárias) e minorias raciais. A representação da comunidade LGBT+ continua sendo somente de homens gays brancos.

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Links relacionados:

Relatório completo (Em inglês): Where We Are on TV ’17-’18

Onde nós estamos? A visibilidade LGBT+ nas produções cinematográficas do ano de 2016

Filmes de Arthur Dong destacam a história asiático-americana e queer

A humanização do asiático LGBT em “OKAMA – Vozes LGBT nipo-brasileiras”

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