Para palestinos gays, Tel Aviv é um santuário precário e complicado

Tradução da matéria de Michael Shmulovich originalmente postada na Out.

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Ra’ed, um palestino-israelense de fala calma em seus quarenta anos, mora no sul de Tel Aviv com Ahmad, seu namorado. Ambos são de um pequeno vilarejo árabe do norte do país.

Em Tel Aviv, Ra’ed, Ahmad, e seus amigos vivem uma vida comum em muitos aspectos – eles saem para dançar “pelo menos uma vez por semana”, diz Ahmad; eles convidam amigos para comer; eles vão para a praia. Porém, por trás de suas histórias – de coexistir entre duas culturas binárias e identidades sexuais proibidas – está a natureza litigiosa do ativismo queer palestino.

A sociedade palestina é inerentemente dividida: primeiro, entre palestinos que vivem em Israel como cidadãos e aqueles que vivem sob a ocupação na Cisjordânia e em Gaza. As suas lutas são novamente divididas entre aqueles que se vem como parte de um movimento LGBT global e outros que se vêm como defensores dos direitos dos palestinos gays como parte da luta contra Israel.

Israel tem aceitado centenas de palestinos gay que buscam asilo advindos da Cisjordânia e de Gaza; e também tem deportado muitos que entraram no país ilegalmente. Em 2008, dois advogados da Universidade de Tel Aviv publicaram um estudo intitulado “Nowhere to Run: Gay Palestinian Asylum-Seekers in Israel” (Sem ter para onde fugir: Refugiados palestinos gays em Israel, sem tradução para o português) no qual eles afirmam que Israel, um dos assinantes da Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951,  não provém refúgio suficiente para palestinos gays em busca de asilo.

Esses problemas aparecem detalhadamente em The Invisible Men (O homem invisível, sem tradução para o português), um novo documentário de Yariv Mozer e Adam Rosner, que retrata palestinos gays fugindo dos perigos existentes em sua própria sociedade e fugindo das autoridades enquanto se escondem em Israel. Suas lutas são as buscas indefinidas por segurança – sem nenhum lugar para ir, sem nenhum lugar para se esconder.

O documentário de Mozer foi inspirado pela sua própria curiosidade sobre a experiência de palestinos gays “do outro lado do muro de separação”. Ele se encontrou com Louie, um homem gay em seus trinta anos, original da Cisjordânia , que se escondia em Tel Aviv por quase 10 anos. “Quando a família de Louie descobriu que ele era gay, o seu pai o amarrou com cordas e golpeou sua cara com uma faca” explica Mozer. “Ele deixou a casa com cicatrizes no rosto. Essa história ficou na minha cabeça, então eu decidi fazer um filme sobre isso”. (Louie hoje mora em outro país).

“Eu não estava tentando pintar Tel Aviv como um ‘paraíso seguro'” diz Mozer. “Porque para (os palestinos gays escondidos na cidade) ela não é segura.” complementa. “Fato, Tel Aviv é o único lugar no oriente médio que é liberal e onde eles podem ser abertamente gay – mas a vinda deles aqui é uma questão lógica. Não é conectada com políticas”. Ele aponta que palestinos gays que recebem uma residência permanente em Israel “são raros e casos únicos”.

Loui retornará para Tel Aviv? “Não seria inteligente, e ele sabe disso” diz Mozer. “Pessoas de origem palestina tem muita dificuldade de entrar em Israel; Eu não acredito que eles desejem isso”.

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